
Michelle critica ala com “evangélicos enlatados” e chama desfile de “escárnio”
Ex-primeira-dama afirma que fé cristã foi ridicularizada na Sapucaí e cobra posicionamento da bancada evangélica
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a se pronunciar sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no Sambódromo do Rio de Janeiro. A escola apresentou um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas uma ala específica provocou forte reação no meio evangélico.
Trata-se do setor intitulado “Neoconservadores em conserva”, no qual componentes desfilaram fantasiados como latas, fazendo referência a cristãos conservadores. A encenação utilizou a metáfora da “conserva” como crítica política, associando o grupo a posições ideológicas contrárias ao atual governo.

“Laicidade não é licença para zombaria”
Cristã assumida, Michelle classificou a apresentação como um ato de desrespeito à fé. Em publicação nas redes sociais, afirmou que a cena representou “escárnio” contra milhões de brasileiros e criticou o que chamou de “cultura travestida de politicagem”.
Para ela, o fato de o Brasil ser um Estado laico não autoriza manifestações que, em sua avaliação, humilhem ou ridicularizem crenças religiosas. A ex-primeira-dama questionou ainda se a reação seria a mesma caso a sátira tivesse como alvo outro grupo religioso ou ideológico.
Em tom firme, declarou que a fé cristã foi exposta publicamente de maneira ofensiva e disse que o conteúdo apresentado já era conhecido e autorizado previamente, o que, segundo ela, agrava a situação.
Apelo à Frente Parlamentar Evangélica
Michelle também pediu que a Frente Parlamentar Evangélica se manifeste oficialmente em repúdio ao episódio. Para a ex-primeira-dama, é necessário defender a liberdade religiosa e garantir que manifestações culturais não ultrapassem o limite do respeito.
Ela encerrou sua manifestação com uma mensagem de cunho espiritual, afirmando que a verdade prevalece com o tempo e que cada atitude revela as intenções do coração.
Contexto do desfile
A ala criticada utilizou fantasias em formato de lata para simbolizar, segundo a escola, setores conservadores da sociedade. A descrição apresentada pelos organizadores associava o figurino à defesa da família tradicional e a pautas políticas divergentes do governo federal.
O episódio ampliou o debate sobre os limites entre liberdade artística e respeito religioso. Para apoiadores de Michelle, houve ofensa direta à fé cristã. Já defensores da escola sustentam que o Carnaval historicamente se vale da sátira como ferramenta de crítica social e política.
A polêmica reforça o clima de polarização política no país e evidencia como manifestações culturais podem se tornar palco de disputas ideológicas e religiosas.