
Michelle pede equilíbrio e sensibilidade em decisão sobre Bolsonaro
Após queda, ex-primeira-dama relata falha de memória do marido e cobra avaliação médica adequada
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou esperar “bom senso” do ministro Alexandre de Moraes diante da situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o estado clínico do marido inspira cuidados após uma queda ocorrida na unidade da Polícia Federal, episódio que teria causado um traumatismo craniano leve e lapsos de memória.
Em conversa com jornalistas, Michelle demonstrou preocupação com a permanência de Bolsonaro sob custódia e com a demora para autorizar uma avaliação hospitalar mais detalhada. Ela relembrou que o ex-presidente passou recentemente por uma cirurgia extensa, com mais de 12 horas de duração, e afirmou que ele ainda não estaria plenamente recuperado.
“Ele nem deveria estar passando por isso agora. Depois de uma cirurgia tão longa, o mínimo esperado seria permitir que ele se recuperasse com tranquilidade. A nossa esperança é que haja sensibilidade para que ele possa ir para casa e ser cuidado pela família”, declarou.
Michelle disse confiar que o ministro saberá agir com humanidade diante da situação. “A gente espera que ele consiga se colocar no lugar de alguém que está sofrendo. Tudo o que se faz aqui tem consequência”, afirmou.
Apelo ao STF
Além de mencionar diretamente o relator do caso, Michelle fez um apelo aos demais ministros do Supremo Tribunal Federal. Segundo ela, as decisões não deveriam ficar concentradas em uma única pessoa. “O Supremo não é formado por um só ministro. Vocês não estão vendo o que está acontecendo? Vão permitir que isso continue?”, questionou, afirmando que a família se sente sem opções.
A ex-primeira-dama informou ainda que a defesa apresentou uma nova petição, acompanhada de laudos técnicos, mas que até o momento não houve resposta oficial.
Relatório médico e decisão
Mais cedo, Michelle disse que a família solicitou à Polícia Federal um relatório detalhado para esclarecer quanto tempo Bolsonaro teria permanecido desacordado após a queda, além do horário em que o quarto foi aberto pelos agentes.
De acordo com o laudo médico da PF, o ex-presidente apresentou apenas ferimentos leves, como um pequeno corte na bochecha, sem sinais de comprometimento neurológico grave. O documento aponta que ele estava consciente, orientado, com sinais vitais estáveis e apenas um leve desequilíbrio ao ficar em pé.
Com base nessas informações, o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de encaminhamento imediato ao hospital, afirmando que não havia urgência médica que justificasse a remoção naquele momento.
O caso segue sob análise, enquanto a família insiste na necessidade de uma avaliação mais aprofundada e em condições adequadas de recuperação.