
Milei cobra liberdade econômica no Mercosul e avisa: “Vamos seguir com ou sem vocês”
Em discurso direto e sem rodeios, presidente argentino critica rigidez do bloco e pede abertura comercial. Para ele, o Mercosul deve ser uma ponte para o mundo — e não um muro
Na Cúpula do Mercosul realizada em Buenos Aires nesta quinta-feira (3/7), o presidente da Argentina, Javier Milei, encerrou sua presidência temporária à frente do bloco com um discurso firme e cheio de recados. Para ele, o Mercosul precisa urgentemente se livrar do que chamou de “cortina de ferro” e caminhar rumo a uma agenda de abertura comercial, com menos amarras e mais liberdade para seus membros.
“Precisamos transformar o Mercosul numa plataforma de lançamento para o comércio global, e não numa fortaleza que nos isola”, disse Milei com expressão séria, lendo cada palavra sem improvisos. Ele defendeu mudanças profundas nas regras internas do bloco, permitindo que cada país possa explorar seu potencial exportador de forma mais livre e autônoma.
Milei comemorou o fim das negociações com a União Europeia e com o bloco EFTA (formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein) e incentivou o avanço de acordos com países como Israel, Emirados Árabes, El Salvador e Panamá. A mensagem foi clara: se os sócios do Mercosul não quiserem acompanhar a Argentina nessa jornada, ela seguirá sozinha. “Vamos fazer isso juntos ou separados”, cravou.
O presidente também não poupou críticas ao modelo atual do bloco. “Chega de pensar no Mercosul como um escudo que nos protege. Ele precisa ser uma lança que nos ajude a conquistar novos mercados”, afirmou.
Embora seu discurso tenha sido predominantemente voltado à economia e à liberalização comercial, Milei fez um gesto diplomático ao agradecer o apoio dos países do bloco à reivindicação argentina sobre a soberania das Ilhas Malvinas — território ainda sob controle do Reino Unido.
Já nos bastidores, outra tensão veio à tona: o governo argentino tentou incluir uma declaração condenando o regime venezuelano, mas não houve acordo entre os países-membros para um texto conjunto. O Brasil sinalizou que só apoiaria uma manifestação equilibrada, que criticasse tanto violações de direitos humanos quanto as sanções internacionais — algo que não avançou. Mesmo assim, Milei aproveitou para registrar sua posição: “Condenamos as detenções ilegais que vêm ocorrendo na Venezuela”, disse.
Apesar da breve troca de cumprimentos entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o clima entre os dois foi distante. A visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, ocorrida no mesmo dia, não foi mencionada oficialmente, mas ajudou a deixar claro que a relação entre os líderes continua fria.
Encerrando sua fala, Milei voltou a reforçar sua urgência: “A Argentina não pode esperar mais. Deixamos para trás décadas de estagnação. Agora é hora de agir.”