
Milei é atacado em carreata e precisa deixar o local às pressas em Buenos Aires
Presidente argentino foi alvo de pedras e garrafas em meio a crise política que envolve sua irmã e denúncias de corrupção
O presidente da Argentina, Javier Milei, viveu momentos de tensão nesta quarta-feira (27/08), quando precisou ser retirado às pressas de uma carreata em Lomas de Zamora, ao sul de Buenos Aires. A comitiva foi atacada com pedras e garrafas, elevando ainda mais a temperatura na reta final da campanha para as eleições legislativas.
Segundo a imprensa local, Milei estava acompanhado da irmã, Karina, além do deputado José Luis Espert e de Sebastián Pareja, quando o carro foi atingido. A segurança reagiu de imediato e retirou o presidente em um veículo fechado. Espert chegou a deixar o local em uma motocicleta, enquanto o candidato Maximiliano Bondarenko teria sido atingido por uma pedra.
Apoiadores de Milei responsabilizaram militantes kirchneristas e aliados do prefeito peronista Federico Otermín pelo ataque. “O kirchnerismo é violência”, declarou Espert à TV argentina TN. O porta-voz do governo, Manuel Adorni, reforçou as acusações, classificando o episódio como “kirchnerismo em estado puro e um modelo de violência do passado”.
O incidente acontece no momento em que o governo Milei já está pressionado por denúncias de corrupção na Agência Nacional de Deficiência (Andis). Áudios atribuídos ao ex-diretor Diego Spagnuolo, amigo pessoal do presidente, apontam pagamento de propinas ligadas à compra de medicamentos, com possível envolvimento de Karina Milei.
O escândalo já levou à queda de Spagnuolo, abriu investigação judicial envolvendo nomes próximos ao governo, como Eduardo “Lule” Menem, e respingou em executivos da distribuidora Suizo Argentina. A crise aumentou a desconfiança nos mercados: o peso e os títulos argentinos seguem em queda, enquanto analistas alertam para o risco de enfraquecimento da gestão Milei e de seu projeto de ajuste fiscal.