
Milei e o FMI: A Dívida Que Não Endivida?Megaempréstimo de US$ 20 bilhões expõe contradições e acirra tensões na Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), alegando que o empréstimo não aumentará a dívida do país. Segundo ele, os recursos serão destinados à recapitalização do Banco Central e ao fortalecimento da moeda local. No entanto, o FMI nega os valores e os termos divulgados, gerando ainda mais incerteza sobre o impacto real dessa operação.
Contradições e promessas vazias
Milei, que no passado atacou ferozmente qualquer aproximação com o FMI, agora justifica o endividamento como um passo necessário para estabilizar a economia. Economistas, porém, alertam que a manobra apenas transfere os riscos para o futuro, sem resolver os problemas estruturais do país.
“É uma dívida que não endivida”, ironizou Milei, ecoando sua retórica ultraliberal. Mas os números contam outra história: somado a outros pacotes do Banco Mundial e do BID, o empréstimo elevará as reservas brutas para US$ 50 bilhões — um dinheiro que, na prática, deve alimentar a especulação financeira, e não o crescimento produtivo.
O peso da austeridade sobre a população
Para viabilizar o acordo, o governo já implementou cortes brutais em programas sociais e subsídios, e novos ajustes devem vir pela frente. As consequências já são visíveis: aposentados recebem salários abaixo da linha da pobreza, enquanto protestos são reprimidos com violência.
A crise se aprofunda com as promessas de Milei de eliminar os controles cambiais a partir de janeiro de 2026. Especialistas alertam que a liberação abrupta pode provocar um choque inflacionário, tornando a vida dos argentinos ainda mais difícil.
O jogo de interesses e a reação do mercado
Enquanto Milei tenta vender o acordo como um triunfo econômico, o FMI mantém cautela e evita confirmar os valores anunciados. O mercado financeiro, por sua vez, reagiu com volatilidade, temendo que o pacote traga mais instabilidade do que alívio.
Na prática, o empréstimo com o FMI coloca a Argentina diante de um dilema cruel: aprofundar a austeridade e prolongar o sofrimento da população ou arriscar um colapso financeiro. De um jeito ou de outro, quem pagará a conta, como sempre, será o povo.
“FMI + Milei = Mais pobres, mais endividados”, sintetiza um cartaz dos protestos nas ruas de Buenos Aires. A questão que fica é: até quando os argentinos suportarão tanto sacrifício?