
Milei rebate acusações contra irmã e promete processar ex-aliado
Presidente argentino tenta se defender de escândalo de corrupção que envolve Karina Milei em meio a clima político cada vez mais tenso
O presidente da Argentina, Javier Milei, saiu em defesa da irmã, Karina Milei, após vir a público uma série de denúncias que a apontam como beneficiária de um suposto esquema de propina dentro do governo. Em sua primeira manifestação sobre o caso, feita nesta quarta-feira (27), o chefe de Estado chamou as acusações de “mentirosas” e disse que levará o ex-aliado Diego Spagnuolo à Justiça.
“Tudo o que ele diz é falso. Vamos processá-lo e provar que mentiu”, afirmou Milei em entrevista ao canal argentino C5N. As declarações ocorreram pouco antes de o presidente ser alvo de ataques com pedras e garrafas durante uma carreata em Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires, episódio que forçou sua retirada às pressas.
O escândalo estourou após o vazamento de áudios atribuídos a Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional da Pessoa com Deficiência (Andis), demitido em 21 de agosto. Nas gravações, ele acusa Karina Milei e Eduardo “Lule” Menem, subsecretário de Gestão Institucional, de receberem parte de propinas ligadas à compra de medicamentos.
Segundo os áudios, os desvios chegariam a até 8% de cada contrato — valores que poderiam variar entre US$ 500 mil e US$ 800 mil por mês. Spagnuolo afirma ainda que Karina ficaria com cerca de 3% dessa quantia e que teria conversado com o próprio presidente sobre o esquema.
A Justiça argentina, entretanto, ainda não confirmou a autenticidade das gravações. Na operação de busca realizada no último dia 22, foram apreendidos celulares, carros, uma máquina de contar dinheiro e cerca de US$ 266 mil em espécie. Nenhuma prisão foi decretada até o momento.
Diante das denúncias, Milei voltou a atacar a imprensa e adversários políticos, acusando-os de tentarem enfraquecer seu governo às vésperas das eleições legislativas.