
Moraes abre julgamento de Bolsonaro e afirma: “O Brasil não pode admitir retrocessos”
Ministro destaca que a tentativa de golpe de 2022 foi um ataque direto à democracia e reforça a importância da resistência das instituições
O Supremo Tribunal Federal deu início, nesta terça-feira (2), ao julgamento histórico que coloca Jair Bolsonaro e outros sete acusados no banco dos réus, sob a acusação de planejar uma tentativa de golpe para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.
A sessão, transmitida ao vivo, começou com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Em sua fala inicial, ele não poupou palavras: classificou a articulação como um “atentado contra o Estado Democrático de Direito” e lamentou que o país tenha sido alvo, mais uma vez, de um movimento para instaurar uma ditadura.
“O país e sua Suprema Corte só têm a lamentar que, mais uma vez, se tenha tentado um golpe de Estado, atentando contra as instituições e a democracia”, declarou Moraes. Para ele, a resistência institucional foi o que evitou que a ofensiva golpista avançasse. “As instituições mostraram sua força e sua resiliência”, completou.
O ministro também fez um alerta sobre a soberania nacional, dizendo que ela não pode ser “vilipendiada, negociada ou extorquida”, em referência às pressões e ataques que marcaram o período eleitoral e os dias seguintes à derrota de Bolsonaro nas urnas.
As sessões estão previstas para ocorrer até o dia 12 de setembro. Caso a denúncia da Procuradoria-Geral da República seja acolhida, Bolsonaro e os demais acusados responderão criminalmente por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe contra a ordem constitucional.