
Moraes aponta manobra de Eduardo Bolsonaro para pressionar julgamento do pai
Ministro do STF vê tentativa de interferência na ação penal contra Jair Bolsonaro e cobra manifestação da PGR sobre atitude do deputado licenciado
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira (9) que Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente licenciado do mandato de deputado federal, estaria tentando interferir no processo que julga seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
Em um despacho recente, Moraes classificou as ações de Eduardo como uma tentativa clara de “interferir e embaraçar” o andamento da ação penal conhecida como AP 2.668/DF, na qual Jair Bolsonaro responde por cinco crimes — incluindo a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O estopim para essa nova reação do ministro foi uma publicação feita por Eduardo nas redes sociais no final de junho. No post, ele compartilhou um vídeo do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), com críticas em inglês ao STF, em meio a um evento em apoio a Bolsonaro na Avenida Paulista. Para Moraes, a publicação teve o objetivo de causar repercussão internacional e, com isso, pressionar o Supremo.
A Procuradoria-Geral da República foi acionada e deverá se manifestar oficialmente sobre a conduta do parlamentar.
Enquanto isso, Eduardo segue nos Estados Unidos, alegando estar sofrendo “perseguição política”. A Polícia Federal investiga se ele também estaria buscando apoio do governo norte-americano para pressionar autoridades brasileiras, inclusive pedindo sanções contra ministros do Supremo.
Além disso, Eduardo é alvo de um inquérito que apura se ele tentou obstruir investigações relacionadas à atuação de uma organização criminosa e à tentativa de subversão do regime democrático. Por solicitação da Polícia Federal, o prazo das investigações foi prorrogado por mais 60 dias para novas diligências.
Mais do que uma disputa política, o episódio revela o grau de tensão entre instituições e os limites que alguns parlamentares parecem dispostos a ultrapassar em nome da defesa familiar — mesmo que isso signifique, na visão do Supremo, atentar contra o devido processo legal.