
Moraes celebra fim das sanções e chama decisão de “vitória do Judiciário brasileiro”
Ministro do STF agradece atuação de Lula e diz que retirada da Lei Magnitsky reforça soberania e democracia
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (12) que a decisão dos Estados Unidos de retirar as sanções impostas a ele e à esposa, Viviane Barci de Moraes, representa uma vitória histórica do Judiciário brasileiro. Para o magistrado, o episódio simboliza não apenas um triunfo institucional, mas também um gesto de defesa da soberania nacional e da democracia.
Segundo Moraes, o Judiciário brasileiro resistiu a pressões externas e seguiu atuando com independência. Ele destacou que não houve recuo diante de ameaças ou tentativas de intimidação. “Foi a vitória de um Judiciário que se manteve firme, imparcial e corajoso”, afirmou.
O ministro fez questão de agradecer publicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltando o papel do governo brasileiro nas negociações com Washington. Para Moraes, o empenho do presidente e de sua equipe foi decisivo para que, segundo ele, “a verdade prevalecesse”.
A retirada das sanções, anunciada pelo governo americano, não veio acompanhada de explicações oficiais. Moraes havia sido incluído na lista da Lei Magnitsky em julho, o que resultou no bloqueio de eventuais bens nos Estados Unidos, além da proibição de transações envolvendo cidadãos americanos. As mesmas restrições haviam sido aplicadas à sua esposa e a uma empresa ligada ao casal.
Mesmo após o recuo dos EUA, Lula voltou a criticar publicamente o uso da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Ainda assim, conforme apuração, o presidente enviou uma mensagem ao então presidente Donald Trump agradecendo pela decisão.
Nos bastidores políticos, a retirada das sanções gerou reações opostas. Enquanto integrantes do governo brasileiro viram o gesto como um passo para a normalização das relações entre os dois países, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro lamentaram o desfecho. O deputado Eduardo Bolsonaro, por exemplo, declarou “pesar” diante da decisão americana.
Diplomatas brasileiros avaliam que o fim das sanções já era esperado após conversas recentes entre Lula e Trump. Para o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, a medida é um sinal positivo, embora ainda existam entraves importantes na relação bilateral, especialmente no campo comercial.
Moraes fez suas declarações durante um evento em São Paulo e encerrou o discurso reforçando o simbolismo da decisão: para ele, mais do que uma vitória pessoal, trata-se de uma afirmação da independência das instituições brasileiras diante de pressões internacionais.