Moraes desafia pressões e abre julgamento de Bolsonaro com recado duro: “O STF não se acovardará”

Moraes desafia pressões e abre julgamento de Bolsonaro com recado duro: “O STF não se acovardará”

Ministro afirma que a Corte não aceitará intimidações e defende a soberania nacional em sessão que julga o ex-presidente e seus aliados por tentativa de golpe

Na manhã desta terça-feira (2), Alexandre de Moraes abriu a primeira sessão do julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete acusados com um discurso firme, quase como um aviso: o Supremo Tribunal Federal não cederá a ameaças. “Não faltará coragem ao STF”, declarou, marcando o tom do que promete ser um dos julgamentos mais importantes da história recente do país.

Moraes lembrou que a organização criminosa em análise tentou subjugar o Judiciário com pressões e ataques orquestrados, em parceria com a família Bolsonaro e até com o ex-presidente americano Donald Trump. E foi taxativo: “A impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação.”

O ministro fez questão de reforçar a missão do Supremo como guardião da democracia: “Julgar com imparcialidade, aplicar a justiça e não se curvar diante de pressões internas ou externas. Coragem institucional e defesa da soberania nacional fazem parte do universo republicano da Corte.”

A ausência de Bolsonaro chamou atenção. Amparado por advogados, o ex-presidente alegou problemas de saúde para não comparecer. Também ficaram de fora Augusto Heleno e Anderson Torres, que preferiram enviar suas defesas em forma de slides e imagens. Dos oito réus, apenas o general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, compareceu presencialmente.

Após a fala de Moraes, coube ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, iniciar a acusação, com duas horas à disposição para expor os argumentos — embora não deva usar todo o tempo. Ainda nesta terça-feira, a defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, deve apresentar sua sustentação. A expectativa é que as falas das defesas se estendam até os primeiros dias da próxima semana, quando os votos dos ministros começarão a ser proferidos.

Esse julgamento não coloca apenas Bolsonaro e seus aliados no banco dos réus, mas também testa a resistência do Supremo diante das ameaças que se projetam de fora e de dentro do país.

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