Moraes desce ao Rio para cobrar explicações sobre chacina: “Quero ouvir Castro pessoalmente”

Moraes desce ao Rio para cobrar explicações sobre chacina: “Quero ouvir Castro pessoalmente”

Ministro do STF decide conduzir ele mesmo as audiências após a megaoperação mais letal da história do país, que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu deixar o gabinete em Brasília e ir pessoalmente ao Rio de Janeiro para conduzir as audiências sobre a megaoperação policial que resultou em 121 mortes — a mais sangrenta da história recente do país.

O encontro está marcado para o dia 3 de novembro, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Polícia Militar. Moraes ouvirá o governador Cláudio Castro (PL), além de chefes das polícias, procuradores e defensores públicos. O objetivo é que cada autoridade explique, ponto a ponto, como e por que a operação chegou a esse nível de letalidade.

A iniciativa atende a um pedido do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), que cobra esclarecimentos sobre o desrespeito às determinações da ADPF das Favelas — decisão do STF que impôs limites ao uso da força policial em comunidades.

Segundo o despacho de Moraes, Castro deverá apresentar relatórios detalhados, com número de mortos, feridos, presos, e provas de que houve proporcionalidade no uso da força. O ministro também exige explicações sobre o uso de câmeras corporais, ações de assistência às famílias das vítimas e protocolos para evitar novas tragédias.

A operação, batizada de “Contenção”, foi deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha e deixou um rastro de corpos e indignação. Apesar de o STF ter determinado medidas para reduzir a violência em incursões policiais, a realidade mostrou o contrário: viaturas, tiros e sangue voltaram a ocupar as ruas das favelas cariocas.

Com a saída de Luís Roberto Barroso do STF, o caso passou a ser relatado por Moraes, que assumiu a missão de garantir que as ordens da Corte não fiquem apenas no papel.

Enquanto o governo do Rio se defende dizendo que a operação foi “necessária”, o ministro parece disposto a mostrar que o Estado não pode agir como se estivesse acima da lei — nem transformar comunidades pobres em campos de guerra permanentes.

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