Moraes enquadra Bolsonaro como chefe de organização criminosa em plano golpista

Moraes enquadra Bolsonaro como chefe de organização criminosa em plano golpista

Ministro do STF aponta que ex-presidente liderou ataques contra a democracia e que tentativa de golpe já estava em andamento

O julgamento da tentativa de golpe de 2022 entrou em uma fase decisiva nesta terça-feira (9). O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal, votou pela condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete acusados, classificando o ex-presidente como líder de uma organização criminosa que agiu para tentar reverter o resultado das eleições.

Logo no início, Moraes derrubou as teses da defesa e reafirmou a validade da delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. Para o ministro, alegar contradições nos depoimentos é puro “jogo de má-fé”.

No mérito, Moraes não deixou dúvidas: o que está em julgamento não é se houve tentativa de golpe, mas quem estava por trás dele. “A organização criminosa praticou atos concretos contra o Estado de Direito, manipulando órgãos de inteligência e até o GSI para sustentar uma narrativa mentirosa contra a Justiça Eleitoral”, afirmou.

Em tom duro, criticou as anotações golpistas encontradas com militares de alta patente: “Não é aceitável que um general, quatro estrelas, tenha uma agenda cheia de planos para sabotar eleições e perpetuar um governo. Isso não é normal em democracia alguma.”

Moraes também citou o discurso de 7 de setembro de 2021, quando Bolsonaro declarou que só sairia da Presidência “morto, preso ou com vitória”. Para o relator, esse foi um aviso público de que não aceitaria a derrota. “Não era conversa de bar. Era o presidente da República, em rede nacional, instigando milhares contra o Supremo”, disse.

O ministro lembrou ainda que os atos após o segundo turno de 2022 — como a tentativa de anular votos de 48% das urnas — só reforçam o padrão de fraude e má-fé. Também destacou a omissão da PRF nas paralisações de rodovias por caminhoneiros, permitindo bloqueios que só foram desfeitos por ordem judicial.

Por fim, apontou que até o relatório das Forças Armadas, que não encontrou fraude nas urnas, foi alvo de manobras para atrasar sua divulgação. “A verdade contrariava a farsa”, resumiu Moraes.

Com esse voto, o relator deixou claro que vê Bolsonaro não como coadjuvante, mas como o comandante de uma conspiração que tentou colocar a democracia brasileira de joelhos.

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