Moraes fecha os olhos: inquérito sobre remoção de corpos após megaoperação é suspenso

Moraes fecha os olhos: inquérito sobre remoção de corpos após megaoperação é suspenso

Decisão do ministro paralisa investigação sobre moradores que retiraram corpos do local do massacre no Rio — mesmo com indícios de ocultação de provas. A tragédia vira silêncio oficial.

Mais uma vez, a Justiça brasileira escolheu o caminho da conveniência. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu suspender o inquérito que investigava a remoção de corpos feita por moradores após a megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

A decisão foi tomada na mesma ocasião em que Moraes ordenou que o governo fluminense preservasse as imagens das câmeras corporais dos policiais e entregasse os laudos das autópsias. Mas, ao mesmo tempo, interrompeu a apuração que poderia esclarecer por que corpos foram retirados da mata, vestidos com roupas camufladas, coletes e até capuzes — provas essenciais para entender o que realmente aconteceu.

Segundo a Polícia Civil, os próprios moradores, supostamente sob ordens de facções criminosas, removeram os mortos da área de confronto, carregando nos ombros não só os corpos, mas também as respostas que agora talvez jamais venham à tona. O secretário da corporação, Felipe Curi, afirmou que o caso seria investigado como fraude processual, já que o ato poderia ter sido uma tentativa de apagar evidências e dificultar a identificação dos envolvidos.

Mesmo diante desse quadro, Moraes preferiu paralisar o inquérito — uma decisão que, para muitos, soa como mais um golpe na busca pela verdade. Afinal, como investigar a violência policial e o crime organizado se até os rastros da barbárie são interrompidos no meio do caminho?

No fim, as imagens permanecem guardadas, os laudos engavetados e os corpos — já sem voz — viram apenas estatísticas. E o país segue, de toga e tudo, varrendo o sangue para debaixo do tapete.

Reflexão final:
Quando a Justiça se torna seletiva, o crime se acomoda. E, entre os escombros da favela, fica o eco das perguntas que ninguém mais quer ouvir.

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