Moraes isola Bolsonaro: ex-presidente é proibido de falar com quase 200 pessoas, incluindo ex-assessor paraibano

Moraes isola Bolsonaro: ex-presidente é proibido de falar com quase 200 pessoas, incluindo ex-assessor paraibano

Entre militares, diplomatas e aliados próximos, Tércio Arnaud, de Campina Grande, volta à lista de contatos vetados por decisão do STF. Restrição inclui tornozeleira eletrônica e toque de recolher.

Por ordem direta do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro está oficialmente isolado. O ex-presidente está proibido de se comunicar — seja por telefone, mensagem ou intermediários — com 191 pessoas. A medida faz parte de um conjunto de restrições determinadas na última sexta-feira (18), que também inclui o uso de tornozeleira eletrônica e regras rígidas de recolhimento domiciliar.

Entre os nomes barrados, chama atenção a presença do paraibano Tércio Arnaud Tomaz, ex-assessor especial da Presidência e figura de confiança de Bolsonaro desde os tempos de campanha. Natural de Campina Grande, Tércio teve papel estratégico na comunicação digital do governo e já havia sido alvo de outras medidas cautelares no passado, suspensas por Moraes em março. Agora, retorna à lista negra do STF.

A decisão de Moraes é parte do inquérito que investiga uma possível tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A justificativa? Prevenir a articulação entre os envolvidos e garantir que a apuração siga sem interferências — especialmente diante do risco de fuga, citado discretamente apenas duas vezes em um documento de 45 páginas.

Além de Tércio, a lista é um verdadeiro “quem é quem” do bolsonarismo. Nela estão desde aliados políticos e militares até o próprio filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Também fazem parte do grupo o general Braga Netto (ex-candidato a vice), o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, e o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira.

E não para por aí. Moraes também proibiu qualquer contato com os 132 embaixadores estrangeiros lotados em Brasília, ampliando o cerco para o campo internacional. Bolsonaro agora deve manter distância mínima de 200 metros de qualquer sede diplomática, além de respeitar o recolhimento obrigatório entre 19h e 6h nos dias úteis e em tempo integral nos fins de semana e feriados.

O ex-presidente também está impedido de usar redes sociais, direta ou indiretamente — ou seja, nem pensar em lives por meio de assessores ou mensagens repassadas por aliados. A intenção do STF é clara: cortar todas as rotas de influência e articulação que Bolsonaro possa tentar usar fora dos canais legais.

Se houver resistência ao cumprimento das ordens judiciais, Moraes autorizou inclusive o uso da força e arrombamentos de portas e cofres. A decisão também permite revista pessoal em quem estiver presente durante eventuais mandados.

Com quem Bolsonaro está proibido de se comunicar:

Investigados em ações penais:

  • Ação Penal 2.668: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Mauro Cid, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto.
  • Ação Penal 2.693: Fernando de Sousa Oliveira, Filipe Martins, Marcelo Câmara, Marília Alencar, Mário Fernandes, Silvinei Vasques.
  • Ação Penal 2.694: Ailton Barros, Angelo Denicoli, Carlos Rocha, Giancarlo Rodrigues, Guilherme Almeida, Marcelo Bormevet, Reginaldo Abreu.
  • Ação Penal 2.695: Antonio Clesio Ferreira.

Investigados no Inquérito 4.995:

  • Eduardo Bolsonaro (filho do ex-presidente).

Alvos da Petição 12.100 (lista parcial):

  • Mauro Cid, Anderson Torres, Filipe Martins, Fernando Cerimedo, Alexandre Ramagem, Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Marcelo Câmara, Mário Fernandes, entre outros.

Ex-assessor paraibano:

  • Tércio Arnaud Tomaz (Campina Grande – PB)

Diplomatas:

  • Todos os 132 embaixadores com representação em Brasília.

Conclusão:
O cerco jurídico ao ex-presidente nunca foi tão apertado. A ordem de Moraes impede Bolsonaro de acessar aliados, redes, gabinetes e embaixadas. Para um ex-chefe de Estado acostumado à comunicação constante, o silêncio agora é imposto — e monitorado de perto.

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