
Moraes já aponta Bolsonaro como peça central em trama golpista sangrenta
Relator do STF afirma que ex-presidente sabia de plano para assassinar Lula, Alckmin e ele próprio; provas expõem o grau de barbárie da conspiração
O julgamento da tentativa de golpe de 2022 ganhou contornos ainda mais sombrios nesta terça-feira (9). O ministro Alexandre de Moraes afirmou que Jair Bolsonaro não apenas tinha conhecimento, mas deu aval ao plano chamado de “Punhal Verde e Amarelo”, que previa nada menos que o assassinato de Luiz Inácio Lula da Silva, de Geraldo Alckmin e do próprio relator do caso.
Moraes foi direto: não há como afastar o envolvimento de Bolsonaro em uma conspiração desse nível. O plano, descrito pela PGR como o episódio mais grave da trama golpista, escancara até onde estavam dispostos a ir para manter um projeto de poder fracassado.
Com ironia cortante, o ministro desafiou a narrativa das defesas: “Não é crível imaginar que um general imprimiu o documento no Planalto, foi ao Alvorada, conversou por mais de uma hora com o então presidente e depois fez um barquinho de papel com o Punhal Verde e Amarelo. Isso é ridicularizar a inteligência deste tribunal.”
Áudios, documentos e reuniões comprovam que Bolsonaro estava ciente. Entre as provas, destaca-se a gravação de um general próximo a ele, afirmando que qualquer ação poderia ocorrer até 31 de dezembro de 2022. Para Moraes, a mensagem é clara: o ex-presidente endossava a conspiração.
O plano, em sua frieza, dava apelidos às vítimas – Lula era “Jeca” e Alckmin, “Joca” – e avaliava as chances de sucesso como “médias, tendendo a altas”. O objetivo era matar, instaurar o medo e enfraquecer o Supremo, abrindo caminho para rasgar a democracia.
Moraes deixou claro que o Brasil não pode normalizar um projeto de execução política: “Foram 20 anos de ditadura, de tortura, de ataque à independência dos Poderes. Não é possível tratar como banal o planejamento para matar um presidente eleito.”
As defesas de Bolsonaro ainda tentaram alegar que Moraes não poderia julgá-lo por ser um dos alvos. O ministro rebateu: “Aqui, a vítima é o Estado brasileiro. Se aceitássemos essa lógica, qualquer réu poderia escolher quem o julgaria. Isso não existe no Estado de Direito.”
A sessão, conduzida pela Primeira Turma do STF, segue analisando os oito réus acusados de formar uma organização criminosa armada e de tentar derrubar o Estado Democrático de Direito à força. Entre eles estão generais, ex-ministros e assessores de Bolsonaro.
A revelação desse plano é um lembrete brutal de como a democracia brasileira ficou por um fio – e como a política de ódio pode se transformar em projeto de morte.