
Moraes multa Allan dos Santos em R$ 50 mil após nova afronta ao STF
Blogueiro descumpre decisão judicial ao participar de live com ataques à Corte; ministro diz que liberdade de expressão não pode ser usada para destruir a democracia
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu aplicar uma multa de R$ 50 mil ao blogueiro bolsonarista Allan dos Santos por mais uma violação de decisões judiciais. A nova infração ocorreu após a participação dele em uma live no YouTube, no dia 1º de julho, onde atacou abertamente o STF e outras instituições.
No programa intitulado “Lula incha o Estado e o STF persegue os brasileiros, é a ditadura da toga”, transmitido pelo canal Conversa Timeline, Allan voltou a usar sua presença digital para atacar a ordem democrática, mesmo após diversas ordens do Supremo determinando o bloqueio de suas contas em redes sociais como Telegram, YouTube, Instagram, X, TikTok, OnlyFans e Rumble.
Segundo Moraes, Allan utiliza essas plataformas como uma engrenagem daquilo que o ministro chama de uma “estrutura digital de desinformação”, que atua contra o Estado Democrático de Direito, o STF, o Tribunal Superior Eleitoral, o Senado e as autoridades dessas instituições.
No despacho mais recente, Moraes lembrou que já havia fixado uma multa diária de R$ 15 mil por descumprimentos anteriores. Agora, a nova infração — a participação na live — motivou uma penalidade adicional de R$ 50 mil, valor que também será cobrado dos responsáveis pelo canal Conversa Timeline.
“Liberdade de expressão não é liberdade de agressão. Liberdade de expressão não é liberdade de destruição da democracia, das instituições e da dignidade e honra alheias”, escreveu o ministro no documento.
Foragido desde 2020, Allan dos Santos vive nos Estados Unidos e, apesar das ordens judiciais, continua criando novos perfis nas redes sociais para manter suas atividades online. Ele é alvo de mandado de prisão e pedido de extradição expedidos por Moraes em 2021, a pedido da Polícia Federal. Os crimes investigados incluem formação de organização criminosa, incitação ao crime, crimes contra a honra e lavagem de dinheiro.
Mesmo longe do país, o blogueiro segue na mira da Justiça — e agora, também mais endividado.