
Moraes pede transferência de delegado da PF e levanta questionamentos sobre concentração de poder
Decisão de Alexandre de Moraes envolvendo Fábio Shor reacende críticas sobre atuação no STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, encaminhou um ofício à Polícia Federal solicitando a transferência do delegado Fábio Shor para atuar diretamente em seu gabinete na Corte. A movimentação, revelada pela CNN Brasil e confirmada pelo Estadão, gerou forte repercussão política e críticas de opositores do ministro.
Shor ganhou notoriedade nacional por conduzir investigações consideradas sensíveis, como a apuração da suposta tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, além dos desdobramentos dos atos de 8 de janeiro de 2023.
Delegado atuou em casos de grande impacto político
Ao longo dos últimos anos, Fábio Shor esteve à frente de inquéritos de grande repercussão, incluindo:
- Investigações sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro;
- O caso da fraude no cartão de vacinação;
- O escândalo das joias sauditas;
- A apuração sobre a suposta articulação de tentativa de golpe.
Em um dos relatórios, o delegado chegou a pedir o indiciamento de Jair Bolsonaro sob a acusação de liderar organização criminosa. Também foi sua equipe que identificou indícios de monitoramento de autoridades, incluindo o próprio Moraes.
Pressões políticas e embates públicos
A atuação de Shor o transformou em alvo frequente de críticas por parte de figuras ligadas à direita. O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro chegou a fazer declarações públicas insinuando possíveis sanções internacionais contra o delegado, mencionando inclusive a possibilidade de restrições de visto.
Durante transmissões ao vivo, Eduardo Bolsonaro afirmou que o delegado poderia sofrer consequências no exterior em razão das investigações conduzidas no Brasil.
Além disso, advogados de investigados também questionaram relatórios produzidos pela equipe de Shor. O advogado Jeffrey Chiquini, por exemplo, protagonizou embates com Moraes durante audiências e acusou o delegado de inconsistências em documentos relacionados ao ex-assessor presidencial Filipe Martins.
Críticas a Moraes e debate sobre imparcialidade
A decisão de transferir o delegado para atuar diretamente no gabinete do ministro levantou questionamentos no meio político e jurídico. Críticos apontam que a aproximação entre o magistrado responsável por relatar investigações e um delegado que conduziu os inquéritos pode alimentar dúvidas sobre a separação entre investigação e julgamento.
Para opositores, a medida reforça a percepção de concentração de poder nas mãos de Moraes, que já é relator de inquéritos de grande alcance político no Supremo. Eles defendem maior transparência e distanciamento institucional para evitar qualquer questionamento futuro sobre imparcialidade.
Por outro lado, aliados do ministro argumentam que a experiência de Shor em contrainteligência e investigações complexas pode contribuir tecnicamente com o gabinete, especialmente em processos que envolvem segurança institucional e crimes contra o Estado Democrático de Direito.
O episódio amplia a tensão política em torno das investigações relacionadas ao 8 de janeiro e mantém o nome de Alexandre de Moraes no centro do debate público, agora também sob questionamentos sobre os limites institucionais de sua atuação.