Moraes se coloca como alvo e acusa Eduardo Bolsonaro de pressão internacional contra o Brasil

Moraes se coloca como alvo e acusa Eduardo Bolsonaro de pressão internacional contra o Brasil

Ministro afirma que o deputado atuou nos EUA para prejudicar o país e intimidar autoridades brasileiras — episódio que escancara a tensão institucional e o clima de retaliação política

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou que também foi alvo direto da suposta tentativa de coação atribuída ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) durante reuniões e articulações feitas nos Estados Unidos. A fala integra o voto apresentado nesta sexta-feira (14), quando a Primeira Turma do Supremo analisou se deve ou não aceitar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o parlamentar.

Segundo a acusação da PGR, Eduardo teria buscado influenciar o governo norte-americano para adotar medidas hostis contra o Brasil e contra autoridades que conduzem processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro — inclusive o próprio Moraes. Entre as ações apontadas estão pedidos de tarifas extras de exportação, suspensão de vistos e até a tentativa de incluir o ministro nos efeitos da Lei Magnitsky, que prevê punições severas por violações de direitos humanos.

Em julho, Moraes chegou a sofrer na pele o impacto dessas medidas: teve cartões cancelados e enfrentou restrições impostas pelos EUA, ainda que posteriormente classificadas pelo próprio STF como infundadas. Não foi só ele. Sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o instituto jurídico fundado pelo ministro também acabaram na lista de sanções.

Mesmo assim, Moraes declarou que não se deixaria intimidar. No retorno do recesso do Judiciário, afirmou que as punições seriam simplesmente ignoradas e não afetariam seu trabalho nos casos envolvendo Bolsonaro. Disse, na ocasião, que seguiria atuando “apesar das mentiras e desinformações propagadas nas redes sociais”.

Durante a sessão desta sexta-feira, o ministro elevou o tom. Criticou duramente Eduardo Bolsonaro e o jornalista Paulo Figueiredo, que o acompanhava nos EUA, chamando suas atitudes de “traição à pátria, covarde e traiçoeira”. Para Moraes, ambos trabalharam com “atos hostis e negociações espúrias” com o objetivo de interferir na Justiça brasileira e pressionar a Corte em processos sensíveis.

O episódio expõe mais uma fissura grave na relação entre instituições, com acusações de pressão internacional, tentativas de retaliação política e disputas que ultrapassaram a fronteira do debate interno — e isso, por si só, já seria motivo suficiente para indignar qualquer brasileiro que espera maturidade, responsabilidade e zelo pelas instituições.

Numa democracia combalida por desconfiança e polarização, ver representantes eleitos e autoridades trocando acusações desse calibre, com repercussões até fora do país, é um retrato preocupante de um Brasil que parece cada vez mais afundado em disputas pessoais, ressentimentos e jogos de poder.

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