
Motta redescobre o caminho do Planalto e volta ao colo de Lula
Depois de clima tenso, presidente da Câmara reaparece sorridente ao lado do governo, chancela ministro e apresenta o pai em busca de bênção política
Depois de um período de desconfiança mútua e discursos mais frios, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu lembrar onde fica o Palácio do Planalto — e, ao que tudo indica, passou a frequentar o endereço como quem nunca saiu. Nos últimos dias, Motta intensificou as visitas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deu aval a ministro recém-empossado e ainda aproveitou a proximidade para levar o pai ao gabinete presidencial em busca de apoio eleitoral.
A reaproximação acontece justamente após semanas de tensão entre Câmara e Executivo. Agora, o clima é outro: abraços, discursos alinhados e fotos oficiais. Desde a última quinta-feira, Motta marcou presença em pelo menos quatro agendas no Planalto, sinalizando que a antiga distância ficou no passado — ou ao menos convenientemente esquecida.
Entre os gestos de boa vontade, Motta participou da apresentação do novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, ao presidente Lula. Antes disso, os dois já haviam conversado por telefone sobre a troca no ministério. Na sequência, o presidente da Câmara acompanhou Lula na inauguração de uma maquete da transposição do Rio São Francisco, com direito a passeio virtual em óculos 3D e discurso lado a lado — cena que não lembra em nada os recentes atritos.
Na posse de Feliciano, Motta fez questão de deixar claro que o novo ministro terá apoio irrestrito do Parlamento. Em tom quase cerimonial, garantiu recursos, ações conjuntas e uma gestão “construída junto com a Câmara”, reforçando a confiança depositada por Lula no novo integrante do primeiro escalão.
O ministro, por sua vez, retribuiu a gentileza e praticamente estendeu o tapete vermelho ao aliado: exaltou a liderança “discreta, mas forte” de Motta e afirmou que o Ministério do Turismo seria “a sua casa”. Afinal, nada como um ministério estratégico nas mãos de um aliado fiel.
A agenda no Planalto não parou por aí. Hugo Motta também levou o pai, Nabor Wanderley — prefeito de Patos (PB) e pré-candidato ao Senado — para uma conversa direta com Lula, acompanhado do governador João Azevêdo. O objetivo foi claro: buscar apoio político para a disputa eleitoral. Nos bastidores, a articulação pesou a favor da nomeação de Feliciano e reforçou os laços entre o clã paraibano e o governo federal.
Enquanto isso, Lula também vê vantagens no reencontro: o presidente trabalha para montar chapas ao Senado com nomes alinhados ao governo, pensando em sustentar uma base sólida para o futuro. Motta, por sua vez, mostra que, apesar dos discursos ocasionais de independência, nunca esteve muito longe do aliado de sempre.
Para completar o roteiro, o presidente da Câmara ainda participou da cerimônia que reconheceu a música gospel como manifestação cultural, ao lado de Lula e parlamentares evangélicos. Um dia cheio, produtivo e simbólico — daqueles que deixam claro que, quando convém, a distância política some rápido.
No fim das contas, Hugo Motta apenas confirmou o que muitos já suspeitavam: nos momentos decisivos, o caminho para o Planalto é conhecido, e a aliança com Lula segue firme, mesmo depois de pequenos “desentendimentos estratégicos”.