MP arquiva caso de propina milionária delatada por empresário morto em emboscada

MP arquiva caso de propina milionária delatada por empresário morto em emboscada

Deputado, delegados e advogado citados por Gritzbach saem ilesos após Ministério Público alegar falta de provas; delator foi executado após denunciar corrupção policial e ligações com o PCC

O Ministério Público de São Paulo decidiu arquivar a investigação que envolvia nomes de peso do poder e da segurança pública, todos acusados de envolvimento em um suposto esquema de propina de R$ 5 milhões. A denúncia veio de Vinicius Gritzbach, empresário que, antes de ser morto em uma emboscada cinematográfica em 2024, fez delações explosivas que abalaram a cúpula policial e política do Estado.

Na lista de acusados estavam o deputado estadual Delegado Olim (PP), os delegados Fábio Pinheiro Lopes, conhecido como “Fábio Caipira”, e Murilo Roque, além do advogado Ramsés Gonçalves. Todos foram apontados por Gritzbach como participantes de um esquema para extorqui-lo em troca de proteção — ou melhor, para não envolvê-lo em investigações por lavagem de dinheiro.

Mas, segundo o procurador de Justiça Sérgio Turra Sobrane, não há provas suficientes para confirmar as acusações feitas pelo empresário. O arquivamento foi assinado no último dia 17 de março.

Em nota à imprensa, o deputado Olim comemorou o encerramento da investigação:
“A verdade sempre prevalece. Fui alvo de acusações mentirosas, mas a Justiça confirmou minha total inocência.”

Já os outros citados na denúncia, incluindo os delegados e o advogado, não foram localizados pela reportagem para comentar o desfecho.

A delação que custou a vida

Vinicius Gritzbach não era um delator qualquer. Empresário do setor imobiliário, ele lavava dinheiro para o PCC, segundo suas próprias palavras. Em sua delação ao Gaeco, braço do Ministério Público que combate o crime organizado, ele afirmou que o dinheiro da propina teria sido solicitado por meio de seu então advogado, Ramsés, e que o valor total envolvido no acordo seria de R$ 5 milhões. Parte disso — R$ 800 mil — foi pago oficialmente como honorários.

Mas Gritzbach não viveu para ver o desfecho das acusações que levantou. Em novembro de 2024, foi executado por atiradores ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo. Câmeras de segurança registraram o ataque. Um motorista de aplicativo foi morto por uma bala perdida, e outras duas pessoas ficaram feridas.

As investigações concluíram que dois líderes do PCC e do Comando Vermelho foram os mandantes. Eles alegaram que Gritzbach havia não só delatado integrantes do crime organizado, mas também desfalcado o esquema e encomendado a morte de dois membros da facção. Para eliminá-lo, contrataram três policiais militares — dois para atirar, um para auxiliar na fuga. Um “olheiro” também colaborou com o plano.

Todos os envolvidos no assassinato são réus na Justiça. Os três PMs estão presos; os mandantes e o olheiro, foragidos.

Corrupção generalizada sob investigação

O caso não terminou com o arquivamento da denúncia contra o deputado e os delegados. O rastro de Gritzbach levantou uma teia ainda mais complexa de corrupção e infiltração das facções criminosas nas forças policiais.

Hoje, nove agentes da Polícia Civil estão presos, investigados pela Polícia Federal por extorsão e cobrança de propina em esquemas similares ao denunciado por Gritzbach. Outros envolvidos também respondem por corrupção.

Além disso, a Polícia Militar abriu investigação contra 14 PMs que faziam segurança privada para o empresário, prática ilegal conhecida como “bico”. Esses mesmos agentes são suspeitos de vazar informações de operações para o crime organizado. Todos também estão presos.

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