Mudança de Fé em Ano Eleitoral

Mudança de Fé em Ano Eleitoral

Depois de atacar cristãos, Lula descobre os evangélicos às vésperas da eleição

Janja vira ponte com igrejas enquanto presidente prega neutralidade que não praticou

A poucos meses de uma nova disputa eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu adotar um discurso conciliador com os evangélicos — algo bem diferente do tom usado em outros momentos de seu governo. Desta vez, Lula elogiou publicamente a primeira-dama Janja, destacando sua iniciativa de se reunir com mulheres evangélicas pelo país.

O elogio ocorreu durante uma cerimônia no Palácio do Planalto que oficializou a cultura gospel como manifestação cultural nacional. No palco, o presidente afirmou estar “muito feliz” com a atuação de Janja e defendeu que o governo “não tem lado, nem religião”.

A fala, porém, soa irônica para muitos brasileiros. Afinal, não faz muito tempo que setores cristãos foram alvo de críticas, desdém e ataques simbólicos vindos do próprio campo político do presidente. Agora, com a eleição batendo à porta, o discurso muda — e a Bíblia reaparece no roteiro institucional.

Janja tem viajado pelo país promovendo encontros com mulheres evangélicas, ouvindo reivindicações e tentando reaproximar um eleitorado que se afastou do PT nos últimos anos. As reuniões contam com a mediação da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo alinhado ao governo.

O problema, apontam críticos, não é o diálogo em si — sempre legítimo —, mas a conveniência do momento. Quando era politicamente confortável, cristãos foram tratados como retrógrados ou intolerantes. Agora, viram prioridade estratégica.

A cerimônia reuniu ministros, parlamentares e lideranças evangélicas, compondo um cenário cuidadosamente calculado. O recado é claro: o governo tenta reconstruir pontes que ele mesmo ajudou a queimar.

No fim, fica a sensação de que, para Lula e Janja, a fé não mudou — mudou foi o calendário.

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