
Na Linha de Fogo: Operador financeiro do chefe do Comando Vermelho é preso em megaoperação no Rio
Nikolas Fernandes Soares, apontado como braço financeiro de “Doca”, foi capturado durante uma ação que mobilizou 2.500 agentes e transformou as favelas do Alemão e da Penha em zonas de guerra.
O Rio de Janeiro amanheceu sob o som dos tiros e das hélices de helicópteros nesta terça-feira (28). Em uma das maiores operações dos últimos anos, policiais civis e militares prenderam Nikolas Fernandes Soares, operador financeiro de Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, um dos principais líderes do Comando Vermelho (CV).
A Operação Contenção, que mobiliza 2.500 agentes, cumpre 100 mandados de prisão e 150 de busca e apreensão em 26 comunidades — entre elas os complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte. As forças de segurança tentam conter o avanço territorial da facção e prender lideranças do tráfico que atuam não apenas no Rio, mas também em outros estados.
O cerco
Segundo as investigações, pelo menos 30 criminosos que integram o grupo são vindos do Pará e se estabeleceram em comunidades cariocas nos últimos meses. A reação do tráfico foi imediata: barricadas em chamas, rajadas de fuzil e granadas lançadas por drones contra equipes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Bope.
Durante os confrontos, uma mulher que fazia exercícios em uma academia foi atingida e socorrida pelo marido. Um outro homem foi baleado enquanto trabalhava em um ferro-velho. Ambos estão fora de perigo.
A operação — resultado de mais de um ano de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) — conta também com promotores do Ministério Público do Rio (MPRJ).
“O poder é do Estado”
O governador Cláudio Castro afirmou que o Estado está “atuando com força total” e que a operação simboliza a retomada dos territórios dominados pelo crime.
“Os verdadeiros donos dessas comunidades são os cidadãos de bem, os trabalhadores. O poder é do Estado, e vamos reafirmar isso quantas vezes for preciso”, declarou.
A ofensiva conta com apoio tecnológico e logístico de peso: drones, dois helicópteros, 32 blindados terrestres e 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM.
Guerra nas alturas
Em resposta à megaoperação, traficantes do CV usaram drones para lançar explosivos sobre as tropas, numa demonstração inédita de poder bélico no Rio. As imagens, registradas por agentes, mostram as granadas sendo liberadas de forma mecânica enquanto os criminosos mantêm distância.
A troca de tiros se estendeu por horas, com ônibus incendiados, linhas de transporte suspensas e escolas fechadas. O clima de guerra urbana voltou a assombrar os moradores, que relatam pânico e desespero nas redes sociais.
A operação ainda está em andamento, e novas prisões podem ocorrer nas próximas horas. Enquanto o Estado tenta retomar o controle, a população das favelas segue vivendo o mesmo drama de sempre — entre o fogo cruzado, o medo e a esperança de que, um dia, a paz volte a ser rotina.