Na Paulista, Flávio Bolsonaro adota tom moderado e diz que STF nunca foi o verdadeiro alvo

Na Paulista, Flávio Bolsonaro adota tom moderado e diz que STF nunca foi o verdadeiro alvo

Pré-candidato ao Planalto defende impeachment de ministros que violem a lei, mas reforça papel do Supremo na democracia

Durante a manifestação realizada neste domingo (1º) na Avenida Paulista, o senador Flávio Bolsonaro surpreendeu parte do público ao adotar um discurso mais equilibrado e cuidadoso ao tratar do Supremo Tribunal Federal. Diferentemente do tom mais inflamado comum em atos da direita, Flávio fez questão de afirmar que a Corte “nunca foi o alvo” do movimento.

Ao discursar para apoiadores, o pré-candidato à Presidência deixou claro que suas críticas não são direcionadas à existência ou à importância do STF como instituição. Pelo contrário: segundo ele, o Supremo é “fundamental para a democracia” e deve ser preservado como pilar do Estado de Direito.

Flávio ressaltou, no entanto, que isso não significa blindagem automática a ministros que eventualmente ultrapassem os limites da lei. Em um trecho que arrancou aplausos, afirmou que há consenso entre parlamentares da direita quanto à possibilidade de impeachment de qualquer integrante da Corte que descumpra suas obrigações legais.

“Todos nós somos favoráveis ao impeachment de qualquer ministro do Supremo que descumpra a lei. Isso só não acontece hoje porque ainda não temos maioria no Senado Federal”, declarou o senador, apontando o equilíbrio de forças políticas como o principal obstáculo para esse tipo de iniciativa.

A fala foi interpretada por aliados como um movimento estratégico de Flávio Bolsonaro para dialogar com setores mais amplos do eleitorado, incluindo eleitores conservadores que defendem mudanças institucionais, mas rejeitam ataques diretos às bases da democracia. O tom moderado também reforça a imagem que o senador vem tentando construir desde que foi lançado como pré-candidato: a de um nome mais institucional e menos confrontacional.

Ao poupar o Supremo como instituição, Flávio procurou separar críticas pontuais a condutas individuais da defesa do sistema democrático como um todo. A postura, segundo analistas políticos, indica uma tentativa clara de se posicionar como alternativa viável dentro da direita para 2026, sem abrir mão do discurso de legalidade e responsabilidade institucional.

Na Paulista, o recado foi direto: cobrar respeito à lei não significa atacar a democracia — e, para Flávio Bolsonaro, esse equilíbrio pode ser justamente o diferencial na disputa pelo Planalto.

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