
“Nenhum império vai pisar na Venezuela”, diz Maduro em recado aos EUA
Com navios de guerra americanos a caminho do Caribe, Caracas ativa milícia e acusa Washington de ameaçar a paz regional
Em meio à crescente tensão com os Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, subiu o tom nesta terça-feira (18). Durante uma reunião televisionada em Caracas, ao lado do ministro Diosdado Cabello, ele declarou que “nenhum império vai tocar o solo sagrado da Venezuela”.
O recado veio depois de notícias da agência Reuters apontarem que três navios de guerra americanos — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — devem chegar nesta quarta-feira (20) ao litoral venezuelano, numa operação apresentada por Washington como combate ao narcotráfico.
“Defendemos nossos mares, nossos céus e nossas terras. Libertamos, vigiamos e patrulhamos cada pedaço deste país. Nenhum império tocará o solo da Venezuela, nem da América do Sul”, afirmou Maduro em tom desafiador.
Disputa de narrativas
Autoridades dos EUA confirmaram que mais de 4 mil militares, além de aviões de vigilância e até submarinos de ataque, estão envolvidos nos preparativos. Segundo Washington, os recursos podem ser usados tanto para monitoramento quanto para operações militares, caso Trump dê a ordem.
A Casa Branca, no entanto, negou que já haja navios na costa da Venezuela. A porta-voz Karoline Leavitt reforçou que Trump está disposto a usar “todas as ferramentas necessárias” para barrar o tráfico de drogas e que Maduro “não é um presidente legítimo”.
Caracas rejeitou as acusações, chamando-as de “ameaças e difamações”.
Milícias nas ruas
Em resposta ao cenário, Maduro anunciou o envio de 4,5 milhões de milicianos para diferentes cidades, parte do chamado “plano de paz” do governo. Segundo ele, a mobilização busca proteger a soberania e garantir a segurança nacional.
O líder venezuelano também prometeu criar zonas especiais de desenvolvimento e segurança na fronteira com a Colômbia, embora sem dar detalhes. A Milícia Nacional Bolivariana, braço das Forças Armadas criado por Hugo Chávez, será a base dessa estratégia.
Escalada de pressão
Os EUA dobraram recentemente a recompensa pela captura de Maduro: agora são US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) para quem fornecer informações que levem à sua prisão — valor superior ao oferecido por Osama Bin Laden após os atentados de 11 de setembro.
Enquanto isso, Maduro tenta se blindar reforçando alianças com Rússia, China e Irã, países que se colocam como contrapeso às investidas americanas.