Nikolas Ferreira vira alvo da PGR após postagens que sugerem intervenção dos EUA no Brasil

Nikolas Ferreira vira alvo da PGR após postagens que sugerem intervenção dos EUA no Brasil

Deputado compartilhou imagem de Lula sendo levado por militares americanos e foi acusado de incentivar golpe de Estado

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou nesta segunda-feira (5) uma representação criminal junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A acusação é de apologia ao crime de golpe de Estado, motivada por publicações feitas pelo parlamentar nas redes sociais após a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela.

A denúncia também inclui o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Hilton, ambos teriam demonstrado apoio à ideia de uma intervenção militar americana no Brasil, nos moldes da operação que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Postagens geraram reação

No sábado (3), Nikolas Ferreira publicou em sua conta no X (antigo Twitter) uma montagem em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece sendo escoltado por militares dos Estados Unidos. Em outra postagem, o deputado compartilhou um tuíte de Lula condenando a ação americana na Venezuela, acompanhado de um vídeo de Donald Trump gesticulando de forma ameaçadora. Na legenda, escreveu: “Te cuida, larápio”.

Já o senador Flávio Bolsonaro publicou uma mensagem afirmando que Lula seria delatado, associando o presidente brasileiro ao Foro de São Paulo e a crimes como tráfico internacional, lavagem de dinheiro e apoio a regimes autoritários.

Ao anunciar a representação, Erika Hilton se manifestou nas redes sociais: “Respeitem o Brasil. Estou denunciando o senador Flávio Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira por apologia ao crime de golpe de Estado”. Segundo ela, os dois parlamentares, apesar de terem jurado defender o país, estariam incentivando ataques à soberania nacional.

Conflito com humorista e reação do PL

A polêmica envolvendo Nikolas Ferreira não se limitou à denúncia na PGR. No domingo (4), o humorista Thiago Santineli criticou duramente o deputado nas redes sociais e chegou a sugerir que ele fosse “desligado”, em referência ao assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, ocorrido em setembro de 2025.

Nikolas respondeu afirmando que um inquérito havia sido aberto para apurar o caso. Em tom provocativo, publicou “vem me pegar” e divulgou um endereço em São Paulo, direcionando a mensagem ao humorista.

O Partido Liberal reagiu às declarações de Santineli. O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva, divulgou uma nota de repúdio, classificando a fala como criminosa e afirmou ter solicitado escolta policial para Nikolas Ferreira — medida que, segundo ele, já foi concedida.

“Não se trata de liberdade de expressão ou crítica política, mas de um ato grave e explícito. Sugerir a eliminação física de um parlamentar eleito ultrapassa todos os limites e atenta contra a democracia”, afirmou o deputado.

O caso agora está sob análise da PGR, que decidirá se dará prosseguimento às investigações contra os parlamentares citados.

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