
No centro do tabuleiro: Mendonça assume o caso Master e amplia influência no STF
De investigações sensíveis ao comando da Justiça Eleitoral, ministro vira figura estratégica em ano decisivo
O ministro André Mendonça passa a ocupar uma posição ainda mais relevante no cenário institucional brasileiro. Escolhido por sorteio interno do Supremo Tribunal Federal após a saída de Dias Toffoli da relatoria, ele agora assume o comando do chamado caso Master — investigação que tem provocado forte repercussão política e jurídica.
Em um ano com eleições no horizonte e tensões crescentes entre governo, Congresso e Judiciário, a mudança coloca Mendonça no epicentro de decisões que podem impactar diretamente a República.
🧩 De Master ao INSS: processos que mexem com Brasília
A nova relatoria não vem sozinha. Mendonça já conduz no Supremo a investigação sobre suspeitas de fraudes no INSS — tema sensível que gera apreensão em setores ligados ao governo federal e ao entorno do presidente.
Além disso, ele ocupará a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, ao lado de Nunes Marques, que assumirá a presidência da Corte eleitoral. Isso significa que, além de processos criminais e administrativos de grande impacto, Mendonça também estará no centro das decisões que envolvem as próximas eleições.
Não é exagero dizer que ele se torna peça-chave em um momento delicado do país.
🏛️ Perfil técnico e apoios estratégicos
Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, Mendonça construiu imagem de magistrado técnico e discreto. Nos bastidores, interlocutores o descrevem como alguém que evita personalizar disputas e busca fundamentação jurídica sólida em suas decisões.
Sua aprovação no Senado, em dezembro de 2021, foi marcada por resistência e negociações intensas. Ele recebeu 47 votos favoráveis e 32 contrários, após meses de articulação política. À época, Bolsonaro o apresentou como um ministro “terrivelmente evangélico” — referência à sua fé e atuação como pastor na Igreja Presbiteriana.
Antes de chegar ao Supremo, Mendonça foi Advogado-Geral da União e também ministro da Justiça, acumulando experiência tanto técnica quanto política.
🔎 Reações e expectativas
Setores da Polícia Federal, do Banco Central e do próprio INSS veem a escolha com expectativa positiva, segundo relatos de bastidores. No Congresso, há quem considere a nova relatoria um movimento que pode trazer maior previsibilidade jurídica ao caso Master.
Mas a realidade é que, com tantas frentes sensíveis sob sua responsabilidade, cada decisão de Mendonça tende a ter peso ampliado. Em ano eleitoral, qualquer despacho pode reverberar muito além dos autos.
📌 Um ministro no centro das decisões
Assumir o caso Master enquanto já conduz investigação sobre o INSS e se prepara para atuar na cúpula da Justiça Eleitoral não é detalhe — é concentração de responsabilidade institucional.
André Mendonça deixa de ser apenas mais um entre onze ministros do Supremo. Ele passa a ocupar uma cadeira estratégica no momento em que o país mais exige equilíbrio, firmeza e transparência.
O tabuleiro está montado. E, agora, uma das peças centrais atende pelo nome de Mendonça.