
Nomeação é anulada após repercussão pública no Recife
João Campos recua e oposição quer CPI para apurar possível favorecimento em concurso
A Prefeitura do Recife publicou, nesta quarta-feira (31), em edição extra do Diário Oficial, a anulação da nomeação de Lucas Vieira Silva para o cargo de procurador judicial do município. Ele é filho de Maria Nilda Silva, procuradora do Ministério Público de Contas, órgão ligado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).
A nomeação vinha sendo questionada após a divulgação de que Lucas, inicialmente classificado na 63ª colocação, teria sido reclassificado para o primeiro lugar em uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência (PCD). A mudança ocorreu após a apresentação de um laudo médico, entregue anos depois da realização do concurso, o que gerou forte reação pública e política.
Com a repercussão do caso, vereadores da oposição intensificaram a pressão. O líder do Partido Liberal na Câmara Municipal do Recife, Thiago Medina (PL), protocolou pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar se houve interferência indevida do prefeito João Campos (PSB) no processo. Segundo Medina, a anulação da nomeação não encerra o assunto. Para ele, ainda é necessário esclarecer o que motivou a reclassificação.
Além do pedido de CPI, o vereador apresentou representação ao Ministério Público de Pernambuco e registrou uma notícia-crime na Polícia Civil, solicitando a apuração das circunstâncias que levaram à alteração do resultado do concurso público.
O caso também repercutiu fora de Pernambuco. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comentou o episódio nas redes sociais, afirmando que a pressão popular e a fiscalização levaram à correção de uma injustiça. Segundo ele, a vaga foi devolvida a quem tinha direito, representando uma vitória para a cidade.
A nomeação questionada havia sido assinada por João Campos no dia 20 de dezembro. O candidato havia concorrido inicialmente pela ampla concorrência e, posteriormente, apresentou um laudo médico atestando Transtorno do Espectro Autista (TEA), aceito pela administração municipal. Com isso, ele passou a ocupar uma vaga PCD, ultrapassando um candidato que aguardava nomeação havia mais de dois anos.
O edital do concurso previa que candidatos com deficiência deveriam apresentar toda a documentação médica no momento da inscrição, o que reforçou as críticas ao procedimento adotado pela Prefeitura.
Na mesma edição do Diário Oficial que anulou a nomeação, foi publicada a nomeação do advogado Marko Venicio dos Santos, que era o primeiro colocado na lista original de candidatos PCD e aguardava a vaga desde a homologação do concurso.
Apesar do recuo da gestão municipal, a oposição afirma que continuará cobrando explicações para garantir transparência e segurança jurídica nos concursos públicos do Recife.