
Nova investida judicial reacende acusações de perseguição política contra a direita
Decisão de Alexandre de Moraes contra Eduardo Bolsonaro é vista por aliados como mais um capítulo de pressão política travestida de ação judicial
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de determinar a citação por edital de Eduardo Bolsonaro voltou a provocar forte reação no campo conservador. Para aliados do ex-deputado, a medida reforça a percepção de uma escalada de perseguição política direcionada a nomes ligados à direita, especialmente à família Bolsonaro.
A citação por edital — usada quando o acusado não é localizado para ser notificado pessoalmente — permite que o processo avance mesmo sem contato direto com o réu. Na prática, Eduardo será considerado formalmente citado após a publicação do edital por 15 dias, abrindo prazo para defesa mesmo estando fora do país.
A ação penal trata de acusações de coação no curso do processo e obstrução da Justiça. Segundo a denúncia, Eduardo teria tentado constranger ministros do STF durante o julgamento que levou à condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para apoiadores do parlamentar, no entanto, o caso exemplifica o que chamam de criminalização da atuação política e internacional de adversários do atual establishment judicial.
A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, e também envolve o blogueiro Paulo Figueiredo. Ambos são acusados de articular, nos Estados Unidos, possíveis sanções contra ministros do STF, incluindo o próprio Moraes, com o objetivo de pressionar a Corte.
Gonet cita reportagens segundo as quais Eduardo teria buscado interlocução com pessoas ligadas ao governo do então presidente Donald Trump. Em outro episódio mencionado no processo, Eduardo teria usado a imposição de tarifas a produtos brasileiros como argumento político para defender no Congresso a anistia ao pai.
Na decisão, Moraes afirma que Eduardo estaria fora do Brasil para “reiterar prática criminosa” e evitar eventual responsabilização, justificando a citação por edital por estar em “local incerto e não sabido”. Essa interpretação é duramente contestada por aliados, que veem na medida uma presunção de culpa e um uso excessivo do poder judicial.
A ação foi oficialmente aberta no último dia 19, após a Primeira Turma do STF aceitar a denúncia por unanimidade ainda em 2025, no contexto das investigações relacionadas à chamada trama golpista. Com isso, Eduardo passou formalmente à condição de réu.
Para críticos de Moraes, o caso simboliza um padrão preocupante: decisões duras, linguagem acusatória e procedimentos excepcionais sempre direcionados aos mesmos alvos políticos. Na avaliação desse grupo, o Judiciário ultrapassa limites e assume um papel político ativo, sufocando o contraditório e ampliando a polarização no país.
Mais do que um embate jurídico, o episódio aprofunda a desconfiança de parte da sociedade sobre a imparcialidade das instituições. Para a direita, a citação por edital de Eduardo Bolsonaro não é um ato isolado, mas mais um sinal de que o jogo político segue sendo disputado também nos tribunais — com Moraes, mais uma vez, no centro das críticas.