
O Congresso Arrasta os Pés Enquanto Bolsonaro Apodrece na Prisão
Demora vergonhosa, anistia diluída e jogo político sem coragem: a disputa pelo PL da Dosimetria expõe omissão, manobras e falta de mérito para quem realmente tem defendido Bolsonaro
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu finalmente colocar na pauta desta terça-feira (9) o tão falado PL da Dosimetria — um projeto que, desde o início, nasceu com cheiro de anistia, mas que agora vem sendo empurrado, remendado e esvaziado por pressões internas e conveniências políticas.
A proposta revisa as penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro e abre margem para reavaliar decisões do STF, possibilitando reduções significativas. Mas tudo segue envolto em hesitação, promessas quebradas e uma lentidão que beira o deboche com quem espera justiça igual para todos.
Enquanto isso, Jair Bolsonaro segue preso na PF de Brasília, aguardando que o Congresso cumpra aquilo que vários líderes garantiram — e que agora parece mais um daqueles compromissos ditos com uma mão e apagados com a outra.
Paulinho trava, aliados se irritam e o país observa a novela
O relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP) declarou que não colocará no texto nada que beneficie diretamente Bolsonaro, já condenado a 27 anos e 3 meses por suposta tentativa de golpe.
A fala caiu como gasolina em um ambiente já inflamado. O bolsonarismo reagiu com indignação — e com razão: como pode um único relator decidir, unilateralmente, o que o plenário pode ou não discutir?
Foi isso que levou Flávio Bolsonaro a acusar Paulinho de interditar o debate. Depois de visitar o pai, Flávio afirmou que Bolsonaro está angustiado com a indefinição e que, tanto Hugo Motta quanto Davi Alcolumbre, haviam prometido pautar a anistia ainda este ano.
“Essa decisão não é de Paulinho. É do plenário”, disparou Flávio, lembrando o óbvio: em democracia, decisões dessa magnitude são coletivas — não pessoais.
Uma democracia que só funciona para uns?
A prisão de Bolsonaro virou um divisor de águas. A pressão política não diminuiu — aumentou. E a cada novo adiamento, a sensação é de que o Congresso tenta administrar o desgaste fazendo o mínimo possível, enquanto quem defende o ex-presidente se mobiliza com força e persistência.
Flávio Bolsonaro foi direto:
“Não será uma caneta que vai calar milhões de pessoas.”
E não vai mesmo.
O que está em jogo não é uma figura isolada, mas a confiança de metade do país em um processo político que deveria ser transparente, justo e respeitar o mérito de quem vem defendendo Bolsonaro desde o início.
Um teste final de coragem — que muitos parecem não ter
A votação do PL da Dosimetria virou o principal teste de força do bolsonarismo no Congresso depois da prisão. Também virou, para muitos deputados e senadores, um teste de caráter — e até agora, o placar da coragem está baixo.
O país assiste a um Legislativo que promete, recua, remenda e tergiversa, enquanto vidas e futuros políticos são definidos por decisões monocráticas e por um STF que age como se não precisasse prestar contas a ninguém.
A anistia — plena, transparente e justa — não deveria ser tabu.
A demora, sim, é uma afronta.
E quem tiver coragem de defender publicamente Bolsonaro, com mérito, coerência e firmeza, não deveria ser penalizado… mas valorizado.