
O Conto de Fadas que Virou Polêmica: O Turbulento Live-Action de “Branca de Neve”
Entre mudanças radicais, debates ideológicos e escolhas questionadas, a nova versão do clássico da Disney enfrenta críticas antes mesmo de chegar às telas
O que era para ser uma celebração de um dos contos mais icônicos da Disney acabou se tornando um dos lançamentos mais controversos da história recente do estúdio. O live-action de Branca de Neve, em desenvolvimento desde 2016, chega aos cinemas envolto em polêmicas que vão desde questões de representatividade até conflitos políticos.
Escolha do elenco e reinterpretação da história geram reações acaloradas
Desde o anúncio da atriz Rachel Zegler no papel principal, o filme já enfrentava resistência. A escolha de uma atriz americana de ascendência colombiana para interpretar uma princesa alemã, tradicionalmente descrita como tendo “pele branca como a neve”, gerou críticas e questionamentos sobre fidelidade à história original. Para justificar a mudança, a nova versão altera a origem do nome da protagonista, explicando que ela foi chamada de Branca de Neve por ter sobrevivido a uma tempestade quando criança.
Mas essa não foi a única mudança que desagradou parte do público. Em entrevistas, Zegler afirmou que a versão clássica era “datada” e que a nova adaptação transformaria a personagem em uma líder determinada, sem depender do amor de um príncipe. Isso irritou setores conservadores, que acusaram a Disney de modificar clássicos em prol de uma agenda progressista.
Conflito de visões políticas entre as protagonistas
A escolha de Gal Gadot para interpretar a Rainha Má também alimentou a controvérsia. A atriz israelense, conhecida por seu apoio às Forças de Defesa de Israel, dividiu opiniões, especialmente entre defensores da causa palestina. A situação se agravou quando Rachel Zegler expressou solidariedade à Palestina, acirrando ainda mais os debates.
Além disso, declarações antigas de Zegler sobre Donald Trump vieram à tona, reacendendo a rejeição de parte do público conservador. A atriz havia escrito nas redes sociais que esperava que Trump e seus apoiadores “nunca conhecessem a paz”, um comentário pelo qual se desculpou posteriormente.
A polêmica dos sete anões e o uso de CGI
Outro ponto de discórdia foi a forma como o filme lidou com os sete anões. O ator Peter Dinklage criticou a abordagem da Disney, afirmando que a história perpetuava estereótipos. Em resposta, o estúdio decidiu reformular os personagens, substituindo anões por “criaturas mágicas” geradas por computação gráfica (CGI). A mudança, no entanto, desagradou muitos que viam no filme uma oportunidade para atores com nanismo conseguirem papéis de destaque.
Dificuldades na produção e apostas arriscadas da Disney
Além das polêmicas, a produção enfrentou problemas financeiros e logísticos. O orçamento ultrapassou US$ 270 milhões, e o filme sofreu atrasos devido às greves de roteiristas e atores em Hollywood. A Disney, preocupada com a recepção do público, decidiu reduzir a campanha promocional e evitar eventos grandiosos para o lançamento.
Estimativas indicam que Branca de Neve deve arrecadar entre US$ 40 e 50 milhões no fim de semana de estreia nos Estados Unidos, valores bem abaixo do sucesso de A Bela e a Fera (2017), que faturou US$ 357 milhões no mesmo período.
Um final ainda indefinido para essa história
Apesar de todas as controvérsias, a crítica especializada tem se mostrado dividida. Enquanto algumas análises elogiam a atualização da história, outras consideram a adaptação apenas “adequada”. Agora, resta saber se o público abraçará essa nova versão ou se Branca de Neve entrará para a história como um dos maiores tropeços da Disney.