
O império desmorona: Justiça bloqueia 79 imóveis do “rei dos fiscais” de SP
Ex-auditor José Rodrigo de Freitas, foragido desde 2024, é acusado de acumular patrimônio milionário com propinas no esquema da Máfia do ISS
A casa começou a cair — e com ela, um verdadeiro império de imóveis. A Justiça determinou o bloqueio e a apreensão de nada menos que 79 propriedades do ex-auditor fiscal da Prefeitura de São Paulo José Rodrigo de Freitas, apelidado por colegas de “rei dos fiscais”. A decisão, que corre em segredo de Justiça, é de 7 de março deste ano, mas só agora veio à tona. E sim, ainda cabe recurso.
Freitas, que está foragido desde julho de 2024, é investigado por envolvimento na Máfia do ISS, um esquema de corrupção revelado em 2013, mas que, segundo o Ministério Público, funcionava desde 1998. Na prática, fiscais cobravam propina de empresas para aliviar — ou até zerar — o valor do imposto sobre serviços.
Segundo o MP, o ex-auditor acumulou ao longo de anos um patrimônio avaliado em cerca de R$ 100 milhões, enquanto seu salário na Prefeitura somou, no mesmo período, apenas R$ 1,8 milhão. A conta simplesmente não fecha.
A juíza Luiza Barros Rozas Verotti, responsável pela decisão, determinou que além da perda dos imóveis, o ex-funcionário perca também sua função pública, fique oito anos sem direitos políticos e impedido de contratar com o poder público ou receber benefícios fiscais, inclusive por meio de empresas em que tenha participação. Também foi aplicada uma multa.
O promotor Silvio Marques comemorou a decisão e explicou a demora: “Além da complexidade do processo, a Justiça também teve que administrar os imóveis. Mas agora, com a condenação por improbidade, se tudo for mantido, os bens devem ser devolvidos à Prefeitura de São Paulo.”
Entre os nomes envolvidos no esquema está também a universidade Uninove, que teria pago propina a Freitas entre 1998 e 2005. A instituição fez um acordo com o MP e se comprometeu a devolver R$ 1 bilhão aos cofres públicos. A universidade não se manifestou até a última atualização da reportagem.
José Rodrigo de Freitas chegou a ser preso em 2018, mas foi solto por habeas corpus. Em agosto do mesmo ano, a polícia encontrou R$ 100 mil em dinheiro vivo na casa da mãe dele. Desde então, ele segue foragido, mesmo após nova ordem judicial para cumprir pena de 7 anos e 6 meses em regime fechado.
O chamado “rei dos fiscais” caiu — mas só o tempo vai dizer se o castelo construído com propina será mesmo desmontado até o fim.