
O legado de Dulcina ganha vida nas escolas públicas do DF
Com linguagem leve e moderna, livro infantojuvenil leva às salas de aula a história inspiradora da atriz que enfrentou a ditadura e lutou pela arte
Entre julho e agosto deste ano, um sopro de memória e cultura vai atravessar os corredores das escolas públicas do Distrito Federal. É quando 500 exemplares de um livro infantojuvenil sobre Dulcina de Moraes serão entregues a estudantes do Ensino Fundamental e Médio de regiões como Samambaia, Ceilândia e Plano Piloto.
Mais do que páginas impressas, o projeto leva às mãos dos jovens leitores uma história de coragem e resistência contada de forma lúdica e envolvente — como se a própria Dulcina narrasse sua trajetória. Escrito por Ana Maria Lopes e Marcia Zarur, com pesquisa teatral de Josuel Júnior, o livro chega acompanhado de um encarte pedagógico, que vai ajudar professores a explorar, em sala, as contribuições dessa grande figura do teatro brasileiro.
Dulcina foi muito mais do que atriz. Fundadora da Fundação Brasileira de Teatro, ela enfrentou de frente os anos sombrios da ditadura militar, exigindo respeito aos artistas, combatendo a censura e abrindo caminhos para gerações futuras. E agora, sua história entra nas escolas para inspirar novos olhares sobre arte, política e resistência.
A obra faz parte da coleção Mestres Cobogós, que já homenageou nomes como Glênio Bianchetti, Athos Bulcão e Burle Marx. Em breve, o próximo volume trará a vida e o legado do cineasta Vladimir Carvalho.
Num tempo em que a memória cultural muitas vezes é deixada de lado, iniciativas como essa reacendem o valor da educação que emociona e transforma. Afinal, conhecer Dulcina é mais do que revisitar o passado — é entender como a arte pode ser uma forma de resistência e uma ferramenta poderosa para construir o futuro.