O Reencontro de Débora com os Filhos: Entre Lágrimas, Abraços e Restricoes

O Reencontro de Débora com os Filhos: Entre Lágrimas, Abraços e Restricoes

Após dois anos de prisão, cabeleireira volta para casa e tenta retomar a vida ao lado dos filhos, mas ainda enfrenta limitações

Depois de passar mais de dois anos encarcerada, longe dos filhos pequenos, a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos finalmente voltou para casa. Agora em prisão domiciliar e monitorada por tornozeleira eletrônica, ela tenta reconstruir a rotina com a família, cercada por emoções intensas e desafios impostos pela Justiça.

A notícia de sua liberação chegou na sexta-feira (28), no início da noite. A família, reunida na casa da mãe, reagiu com um turbilhão de sentimentos. “Foi um misto de choro, riso e alívio”, relembra Cláudia Rodrigues, irmã de Débora. A matriarca da família, Maria de Fátima, de 71 anos, caiu de joelhos agradecendo a Deus, enquanto os irmãos da cabeleireira choravam e se abraçavam.

O momento se tornou ainda mais emocionante quando o marido de Débora chegou com os filhos, Caio, de 10 anos, e Rafael, de 8. “Nós os abraçamos e dissemos que a mamãe estava voltando para casa”, conta Cláudia. Os meninos, emocionados, choraram nos braços do pai, que também não conteve as lágrimas.

Um Reencontro Marcante

No sábado (29), finalmente mãe e filhos puderam se ver novamente. “Eles ficaram grudados na mãe por muito tempo, como se quisessem compensar cada segundo perdido”, conta Cláudia. O café da manhã daquele dia foi especial, recheado de risadas e momentos simples que, até então, pareciam distantes.

Para Cláudia, a felicidade dos sobrinhos é indescritível. “Ver aquele sorriso verdadeiro nos rostos deles, coisa que já não víamos mais, é impagável”, diz. Além do carinho incondicional dos filhos, Débora também recebeu apoio de vizinhos e amigos, que faziam questão de buzinar em frente à sua casa, celebrando sua volta.

A Nova Realidade: Entre a Liberdade e as Restrições

Apesar de estar em casa, Débora ainda enfrenta limitações. A tornozeleira eletrônica chamou a atenção dos filhos, que a observavam com curiosidade e preocupação. “Eles passavam a mãozinha nela, sem entender direito, mas sabiam que não era algo bom para a mamãe”, explica Cláudia. A família se esforça para tranquilizá-los, garantindo que é algo temporário.

Além do monitoramento eletrônico, Débora está proibida de conceder entrevistas, acessar redes sociais e ter contato com pessoas fora do círculo familiar. Isso significa que não pode trabalhar nem receber visitas além dos advogados, marido, filhos, mãe e irmãos. “É triste não podermos ter, por exemplo, um pastor para orar com ela”, lamenta Cláudia. Para contornar isso, a família decidiu organizar um encontro religioso no próximo sábado para agradecer pela volta de Débora ao lar.

O Caso e a Polêmica da Condenação

Débora foi presa em março de 2023 por ter escrito, com batom, a frase “perdeu, mané” na estátua da Justiça durante os atos de 8 de janeiro. Seu caso gerou grande repercussão após a condenação severa imposta pelo ministro Alexandre de Moraes: 14 anos de prisão, sendo 12 anos e meio em regime fechado, além de uma multa milionária. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Luiz Fux, que sugeriu rever a pena.

Especialistas questionam a proporcionalidade da condenação, já que em casos semelhantes, envolvendo pichações ou vandalismo, a punição costuma se limitar ao pagamento de cestas básicas. O julgamento gerou indignação entre políticos, juristas e apoiadores, dando origem ao movimento #SomosTodosDébora.

Após nove pedidos da defesa, Débora finalmente conseguiu a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, decisão acatada pelo ministro Moraes após recomendação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Agora, ela aguarda a conclusão do julgamento ao lado da família, tentando recuperar o tempo perdido. “Não podemos voltar atrás, mas podemos escrever uma nova história daqui para frente, com muito amor e esperança”, conclui Cláudia.

Fonte e Créditos: Gazeta do Povo

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