Ódio não é opinião: declaração violenta de advogado choca grupo da OAB em MT

Ódio não é opinião: declaração violenta de advogado choca grupo da OAB em MT

Fala sobre “cortar cabeças” de adversários políticos ultrapassa qualquer limite e gera repúdio no meio jurídico

Uma discussão política em um grupo de WhatsApp formado por advogados de Cáceres (MT) terminou em indignação e repúdio. O motivo foi uma mensagem atribuída ao advogado Lindomar da Silva Rezende, na qual ele fez referência direta à violência extrema contra pessoas identificadas como bolsonaristas, mencionando a ideia de “cortar cabeças em praça pública”.

A conversa aconteceu na noite de quarta-feira (7/1), em um espaço que deveria servir ao diálogo profissional e à troca de informações entre integrantes da advocacia local. Em vez disso, o debate descambou para ataques pessoais, ironias e, por fim, para uma declaração que afronta valores básicos de humanidade, civilidade e do próprio Estado Democrático de Direito.

De acordo com prints obtidos pela reportagem, a discussão teve início após o compartilhamento de uma notícia envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), relacionada ao uso da cota parlamentar para custear passagens aéreas. A matéria citava um pedido de reembolso de R$ 13,6 mil ao Senado Federal. Posteriormente, a assessoria do parlamentar informou que houve erro e que o valor seria devolvido.

O que poderia ter ficado restrito a divergências políticas acabou tomando um rumo inaceitável. Em meio à troca de ofensas, Lindomar escreveu que “torcia” para que bolsonaristas tivessem as cabeças cortadas em praça pública, chegando a afirmar que se colocaria como “voluntário” para o ato. A mensagem foi enviada após ele chamar outro participante do grupo de “hipócrita”.

O conteúdo se espalhou rapidamente entre advogados da região e causou forte desconforto, sobretudo por ter sido veiculado em um ambiente ligado à advocacia, profissão que tem como um de seus pilares a defesa da vida, da dignidade humana e da legalidade. Independentemente de posicionamento político, manifestações que flertam com o ódio e a violência não podem ser normalizadas nem relativizadas como “brincadeira” ou “galhofa”.

Lindomar da Silva Rezende, que já ocupou cargo público como coordenador do Procon em Cáceres, confirmou a autoria da mensagem. Em nota, afirmou que o comentário foi feito em um grupo restrito, no calor de uma discussão política, e que não teve a intenção de incentivar violência. Reconheceu, ainda, que foi infeliz e declarou retratação pública.

A OAB Mato Grosso informou que, até o momento, não recebeu denúncia formal ou pedido de apuração disciplinar sobre o caso.

Ainda assim, o episódio deixa um alerta: o discurso de ódio, venha de onde vier, não é opinião, não é humor e muito menos compatível com a advocacia. Palavras têm peso, e quando incitam violência, ferem não apenas adversários políticos, mas a própria democracia.

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