
Os dois votos dissidentes do PL no PL Antifacção
Enquanto a bancada bolsonarista fechava questão, Bacelar e Biondini foram na contramão — e um deles culpou o “botão errado”
A maior parte do PL entrou em campo de forma unificada para apoiar o relatório do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) no PL Antifacção. Mas, no meio da votação, dois nomes destoaram: João Carlos Bacelar (PL-BA) e Eros Biondini (PL-MG) votaram contra o parecer — exatamente como orientaram PT, governo e PSol/Rede.
Bacelar, apesar de integrar um partido de oposição, já vinha se aproximando do governo, a ponto de prestigiar recentemente a posse de Guilherme Boulos como ministro. Seu voto contrário, portanto, não causou tanto estranhamento entre colegas.
Já Biondini virou protagonista involuntário da noite. O deputado afirmou que não queria votar contra — apenas se confundiu. Segundo ele, tudo aconteceu porque estava “em trânsito”, e uma tecla apertada no impulso acabou registrando o voto ao contrário do que pretendia. Para corrigir o mal-entendido, disse ter enviado um ofício à Mesa Diretora mudando oficialmente sua posição.
“Sou totalmente a favor de classificar esses narcoterroristas como terroristas no Brasil. Só apertei a tecla errada”, declarou o parlamentar mineiro, tentando desfazer o ruído político.
Curiosamente, nas demais votações da sessão, Biondini acompanhou fielmente a bancada do PL, incluindo a rejeição ao destaque que tentava restaurar o texto original do governo. Bacelar, por outro lado, sequer registrou voto nesse item.
Enquanto isso, a liderança do PL — especialmente Sóstenes Cavalcante — manteve posição firme ao lado do relatório de Derrite, que acabou aprovado mesmo com as exceções internas.