PF aponta que Careca do INSS comprou “cotas” de avião usado por senador Weverton

PF aponta que Careca do INSS comprou “cotas” de avião usado por senador Weverton

Investigação liga jatinho de R$ 2,8 milhões ao lobista do esquema do INSS e ao senador do PDT; aeronave estaria em nome de empresa ligada a advogado do grupo

A Polícia Federal identificou que Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, adquiriu cotas de uma aeronave utilizada com frequência pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA). O avião, avaliado em cerca de R$ 2,8 milhões, está registrado em nome de uma empresa vinculada à esposa do advogado Erik Vieira Monteiro Marinho, representante do lobista no Supremo Tribunal Federal (STF).

Weverton foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela PF nesta quinta-feira (18). Segundo os investigadores, o senador é apontado como parte do “núcleo político” que teria dado sustentação às atividades do Careca do INSS dentro do esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.

A ligação entre o parlamentar e o jatinho já havia sido revelada meses antes, quando o senador foi flagrado desembarcando da aeronave em Brasília após viagens frequentes entre o Distrito Federal e o Maranhão. A mesma aeronave também era utilizada pelo lobista investigado.

Apesar disso, pedidos de prisão contra Weverton chegaram a ser feitos pela Polícia Federal, mas foram negados tanto pela Procuradoria-Geral da República quanto pelo STF.

As investigações avançaram ainda sobre a estrutura empresarial ligada ao advogado Erik Marinho. De acordo com a PF, ele mantém vínculos com diversas empresas e pessoas associadas ao núcleo político e empresarial do grupo comandado pelo Careca do INSS. Entre essas empresas está a Air Connect S/A, apontada como proprietária da aeronave usada pelo senador e pelo lobista.

A PF descreve a existência de uma “complexa rede de empresas de fachada” envolvendo Erik Marinho e sua esposa, Joelma dos Santos Campos. Segundo os investigadores, companhias como a Air Connect S/A e a Flight Way S/A teriam sido criadas recentemente, com capital social incompatível com a compra de aeronaves de alto valor — um indício clássico, segundo a corporação, de ocultação de patrimônio.

Para a Polícia Federal, essas empresas funcionariam como instrumentos de blindagem patrimonial, usados para proteger bens e movimentações financeiras do Careca do INSS e de seus operadores no momento em que as fraudes nos descontos associativos do INSS se intensificaram.

Por determinação do Supremo Tribunal Federal, a pedido da PF, Erik Marinho passou a usar tornozeleira eletrônica.

Em declarações anteriores, o senador Weverton afirmou que apenas pegava “carona” na aeronave e negou ter viajado ao lado do Careca do INSS. Disse ainda que seus deslocamentos ocorreram dentro da normalidade e que lamenta a tentativa de associar seu nome ao esquema de desvios no INSS, que afirma condenar.

Já Erik Marinho sustentou que o avião não é alugado, mas utilizado em regime de uso compartilhado, sendo eventualmente emprestado ao senador, com cobrança apenas de despesas operacionais.

O Careca do INSS, por sua vez, declarou em depoimento à CPMI do INSS que o uso de aeronaves na aviação executiva ocorre por meio de brokers, que intermediam assentos em voos privados, negando inicialmente conhecer os responsáveis pelas empresas — versão que acabou sendo parcialmente corrigida após questionamentos durante a oitiva.

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