PL de Bolsonaro recorre ao STF para garantir derrubada do aumento do IOF

PL de Bolsonaro recorre ao STF para garantir derrubada do aumento do IOF

Partido defende que Congresso agiu dentro da lei ao anular decretos de Lula que elevaram o imposto sobre operações financeiras

O Partido Liberal (PL), de Jair Bolsonaro, entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta terça-feira (1º) para defender a constitucionalidade da decisão do Congresso Nacional que anulou os decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aumentaram as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

O PL pediu para participar da ação como amicus curiae — uma espécie de “amigo da corte” que traz informações relevantes ao julgamento, que está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Essa revogação do decreto presidencial foi uma medida rara: não acontecia desde 1992 que o Congresso derrubava um decreto do Executivo. Naquela época, o Congresso derrubou uma norma que mexia nas regras dos precatórios, meses antes de abrir o processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor.

Agora, o Congresso voltou a demonstrar força ao revogar o reajuste do IOF com ampla maioria — 383 votos a favor e 93 contra na Câmara, seguida pela confirmação simbólica no Senado.

No documento enviado ao STF, o PL argumenta que o Legislativo agiu corretamente ao sustar atos do Executivo que, na visão do partido, ultrapassaram os limites do poder regulamentar. Ou seja, o Congresso teria feito seu papel de fiscalização ao barrar os decretos nº 12.466/2025, 12.467/2025 e 12.499/2025.

“A separação dos Poderes exige que o Legislativo possa sustar decretos que extrapolem sua finalidade legal, como ocorreu com esses decretos”, disseram os advogados do PL.

O partido também criticou a Advocacia-Geral da União (AGU), que apresentou uma ação para validar os decretos de Lula. Segundo o PL, a AGU admite que o aumento do IOF tinha como objetivo arrecadatório — o que, na visão do partido, não justifica o uso do decreto presidencial.

“O próprio advogado-geral da União reconhece que os decretos foram feitos para aumentar a arrecadação, e não por uma finalidade extrafiscal, que é o único motivo que justificaria o uso do decreto para alterar alíquotas do IOF”, afirma o PL, ressaltando que a arrecadação teria sido usada para mascarar projeções de receita oficiais feitas no orçamento.

O assunto está em debate em três processos no STF:

  1. Uma ação protocolada pelo próprio PL questionando o aumento do IOF;
  2. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) do PSol que pede a suspensão da decisão do Congresso;
  3. A Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) da AGU para validar os decretos de Lula.

Todos os casos estão sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, que é o relator da ação inicial do PL.

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