
Planalto adota cautela com Trump e avalia que vice de Maduro governa sob forte pressão
Brasil critica ação dos EUA na Venezuela, mas evita confronto direto com a Casa Branca
Mesmo após condenar a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado com extremo cuidado para não provocar um confronto direto com o presidente norte-americano Donald Trump.
Na nota em que classificou a intervenção como uma “grave afronta à soberania venezuelana”, Lula optou por não mencionar Trump diretamente. A estratégia, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, é preservar canais diplomáticos abertos com Washington, especialmente após uma reaproximação entre os dois governos no fim de 2025.
Nos bastidores, a avaliação é de que o diálogo com a Casa Branca trouxe resultados concretos. O governo brasileiro conseguiu convencer os EUA a recuar de um aumento de tarifas sobre produtos nacionais e a suspender sanções impostas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
“Gostando ou não, Trump tem negociado com o Brasil. Precisamos manter essa interlocução enquanto for possível”, afirmou um assessor próximo ao presidente.
Equilíbrio delicado em Caracas
Além da cautela em relação aos Estados Unidos, o Planalto também observa com atenção a situação política na Venezuela. A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu após a saída de Nicolás Maduro, é vista como alguém que enfrenta um cenário extremamente instável.
Na leitura do governo brasileiro, Delcy tenta equilibrar cada gesto e declaração. De um lado, não pode confrontar abertamente os EUA, que já sinalizaram a possibilidade de novas ações militares. De outro, não pode adotar um discurso excessivamente conciliador, sob risco de perder o respaldo das Forças Armadas venezuelanas.
“Ela está se equilibrando no limite”, resume um conselheiro de Lula. “Qualquer passo em falso pode custar caro.”