
Planalto analisa impacto de tarifa de Trump contra países que negociam com o Irã
Anúncio de sobretaxa de 25% feito pelo presidente dos EUA gera cautela no governo Lula e acende alerta no comércio exterior brasileiro
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a analisar os possíveis efeitos da decisão anunciada por Donald Trump de impor uma tarifa de 25% a todos os países que mantêm relações comerciais com o Irã. A medida foi divulgada pelo presidente dos Estados Unidos nesta segunda-feira, em meio ao aumento da pressão internacional sobre Teerã por conta da repressão violenta a protestos internos.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que a cobrança será aplicada de forma imediata e sem exceções. Segundo ele, qualquer nação que continue negociando com a República Islâmica sofrerá a sobretaxa em transações comerciais com os Estados Unidos.
No entanto, integrantes do Itamaraty avaliam que, até o momento, faltam informações concretas para medir o impacto real da decisão sobre o Brasil. O anúncio não trouxe detalhes sobre critérios técnicos, prazos ou como a Casa Branca pretende colocar a medida em prática. Diante disso, o governo brasileiro acompanha o cenário com cautela e busca entender como a política será operacionalizada.
Relação comercial relevante
O Irã ocupa posição estratégica no comércio brasileiro no Oriente Médio. Dados oficiais mostram que a corrente de comércio entre os dois países gira em torno de US$ 3 bilhões, com saldo amplamente favorável ao Brasil. As exportações nacionais são concentradas principalmente em milho e soja, enquanto o Brasil importa do país persa fertilizantes e alguns produtos alimentícios.
Em 2024, o Irã se consolidou como o quinto maior destino das exportações brasileiras na região, reforçando sua importância para o agronegócio nacional. Além disso, desde o ano passado, Teerã passou a integrar o Brics, grupo que reúne economias emergentes lideradas por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul, hoje ampliado com novos membros.