Prejuízo dos Correios dispara e chega a R$ 2,64 bilhões no segundo trimestre

Prejuízo dos Correios dispara e chega a R$ 2,64 bilhões no segundo trimestre

Receita em queda, aumento de despesas e passivos judiciais agravaram a crise financeira da estatal

Os Correios enfrentam uma crise sem precedentes: no segundo trimestre de 2025, o prejuízo da estatal atingiu R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes o valor registrado no mesmo período de 2024, quando a empresa fechou com um rombo de R$ 553,2 milhões. No acumulado do primeiro semestre, o déficit já chega a R$ 4,37 bilhões, três vezes maior que no mesmo período do ano passado.

A situação reflete a combinação de receitas em queda e despesas em crescimento, incluindo gastos com sentenças judiciais. O programa Remessa Conforme, da Receita Federal, que facilita a entrada de encomendas importadas via comércio eletrônico, acabou reduzindo drasticamente a receita dos serviços internacionais dos Correios, com queda de 63,6% no segundo trimestre, totalizando R$ 422,1 milhões.

Além disso, o pagamento de precatórios explodiu, chegando a R$ 1,2 bilhão no trimestre, aumento de mais de 800% em relação ao ano anterior. Os gastos com pessoal também subiram 9,5%, para R$ 2,8 bilhões, devido a reajustes salariais e gratificações previstas em acordos anteriores.

A empresa vem tentando ajustar as contas com a venda de imóveis e a criação de um programa de demissão voluntária, que contou com a adesão de cerca de 3.500 funcionários e deve gerar uma economia estimada em R$ 1 bilhão em 2026. Paralelamente, a estatal recorreu a empréstimos de R$ 1,8 bilhão junto a bancos como Citibank, BTG Pactual e ABC Brasil para equilibrar o caixa, mas ainda enfrenta desafios para honrar compromissos futuros e pagamentos a fornecedores, que somam aproximadamente R$ 600 milhões em atraso.

A crise financeira também provocou mudanças na gestão da empresa. O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, entregou sua carta de demissão em julho, mas ainda não foi substituído devido à disputa política pelo cargo e à complexidade da situação financeira.

Mesmo com esforços para diversificar receitas, como o lançamento de um marketplace, os Correios continuam sob pressão, com a necessidade urgente de recursos extras do governo para evitar um colapso financeiro no curto prazo.

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