
Presidente da Colômbia diz ter escapado de atentado em meio a nova onda de violência
Gustavo Petro relata ameaça de grupo ligado ao narcotráfico; no mesmo dia, senadora aliada é sequestrada e resgatada no Cauca
A Colômbia voltou a viver horas de tensão nesta terça-feira (10). O presidente Gustavo Petro afirmou publicamente que escapou de uma tentativa de assassinato e revelou que está mudando de residência por questões de segurança. Segundo ele, um grupo dissidente das antigas Farc, ligado ao narcotráfico, estaria articulando ataques contra sua vida.
Durante uma reunião com ministros, transmitida pela internet, Petro foi direto:
“Tenho que confessar que vou me mudar em dois dias, estou fugindo da morte”, declarou.
O presidente relatou que enfrentou situações suspeitas ao tentar pousar de helicóptero no departamento de Córdoba, na região do Caribe colombiano. Segundo ele, as luzes do heliporto não foram acesas na noite anterior, impedindo o pouso. Na manhã seguinte, decidiu não aterrissar por receio de que o helicóptero fosse alvo de disparos — ele estava acompanhado dos filhos.
Petro atribui a ameaça a um novo “conselho do narcotráfico”, formado por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Entre os nomes citados está Iván Mordisco, considerado um dos criminosos mais procurados do país e líder de uma das maiores dissidências do grupo guerrilheiro que assinou o acordo de paz em 2016.
Histórico de violência política
A Colômbia carrega um passado marcado por assassinatos de lideranças políticas, especialmente do campo da esquerda. Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país, já havia denunciado outra suposta tentativa de atentado em 2024, quando deixou de comparecer a um desfile militar por questões de segurança.
Antes de entrar definitivamente na política institucional, Petro integrou a extinta guerrilha M-19. Anos depois, consolidou carreira como senador e, em 2022, chegou à Presidência em meio a um cenário de polarização e promessas de reformas sociais profundas.
Senadora aliada é sequestrada
No mesmo dia em que Petro relatou a ameaça, outro episódio aumentou o clima de instabilidade. A senadora indígena Aida Quilcué, aliada do presidente, foi sequestrada no departamento de Cauca junto com seus seguranças.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, confirmou o ocorrido. Horas depois, a parlamentar foi libertada graças a uma mobilização rápida de comunidades indígenas da região, segundo informações divulgadas por sua equipe nas redes sociais.
A caminhonete em que a senadora viajava foi encontrada abandonada em uma estrada. Imagens divulgadas pelo Exército mostram Aida Quilcué visivelmente abalada e chorando ao entrar em um veículo blindado após o resgate. De acordo com o governo, ela e seus escoltas passam bem.
País sob tensão
Os episódios reacendem o alerta sobre a atuação de grupos armados e organizações ligadas ao narcotráfico em diversas regiões do país. Mesmo após o acordo de paz de 2016, dissidências das Farc continuam ativas, disputando territórios estratégicos para rotas de drogas.
A fala de Petro — dizendo estar “fugindo da morte” — reforça a percepção de que o cenário colombiano ainda é frágil quando o assunto é segurança institucional e estabilidade política.
Em um país acostumado a crises, os acontecimentos desta terça-feira mostram que a paz assinada no papel ainda enfrenta desafios concretos no território.