
Presidente da COP30 faz alerta duro sobre urgência climática após tragédia no Paraná
André Corrêa do Lago usa o palco da conferência em Belém para lembrar que a destruição causada por tornados no sul do Brasil é um grito da Terra pedindo ação imediata — não discursos.
O embaixador André Corrêa do Lago abriu a COP30, em Belém, nesta segunda-feira (10), com um discurso carregado de emoção e urgência. Diante de líderes e representantes de todo o mundo, o presidente da conferência citou a tragédia no Paraná — onde um tornado deixou sete mortos e centenas de feridos — como exemplo vivo da força brutal das mudanças climáticas.
“Estamos quase lá, mas ainda há muito a fazer. O que realmente mudou minha visão é a urgência desse processo”, afirmou Corrêa do Lago, visivelmente tocado pelos eventos recentes. Ele lembrou que o sofrimento vivido em Rio Bonito do Iguaçu se repete em outras partes do planeta, das Filipinas à Jamaica, e reforçou: “Temos uma responsabilidade imensa”.
O diplomata cobrou ações concretas e cooperação internacional. Para ele, esta deve ser a conferência da implementação, não apenas de promessas. “Precisamos transformar a ciência em políticas, e políticas em empregos, adaptação e esperança”, destacou, pedindo que os países ouçam o que os cientistas já vêm dizendo há décadas — que o tempo está se esgotando.
Durante a cerimônia, Corrêa do Lago foi oficialmente empossado no cargo pelo presidente da COP29, Mukhtar Babayev, em um ato que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A conferência, que se estende até 21 de novembro, promete ser marcada por debates sobre justiça climática, economia verde e reconstrução sustentável — temas que, agora, soam mais urgentes do que nunca.
No fundo, o recado do embaixador ecoou como um aviso à humanidade: não há protocolo que valha mais do que uma vida perdida ao vento.