
Prioridades distorcidas: governo Lula banca TVs 4K para presídios federais
Enquanto falta investimento em segurança e serviços básicos, Planalto autoriza gasto de dinheiro público com Smart TVs para detentos
O governo Lula volta a provocar indignação ao anunciar a compra de 40 Smart TVs de última geração para presídios federais de segurança máxima. Os aparelhos, de 50 polegadas, com resolução 4K e acesso a plataformas digitais, custarão R$ 85,4 mil aos cofres públicos e serão usados em um programa de cinema voltado a presos condenados por crimes graves.
A iniciativa, batizada de ReintegraCINE, prevê a distribuição igual dos televisores entre as cinco penitenciárias federais do país: Brasília, Catanduvas, Campo Grande, Mossoró e Porto Velho. Cada unidade receberá oito aparelhos. Para o governo, trata-se de “modernização” de uma atividade já existente. Para grande parte da sociedade, porém, o projeto escancara a inversão de prioridades da atual gestão.
Em um país onde milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para acessar saúde, educação e segurança pública de qualidade, a decisão de investir em TVs inteligentes, com streaming e alta definição, dentro de presídios causa revolta. O contraste é inevitável: cidadãos que trabalham e pagam impostos muitas vezes não têm acesso ao básico, enquanto criminosos recebem equipamentos que muitos brasileiros não conseguem comprar.
O Ministério da Justiça argumenta que os aparelhos terão restrições técnicas e não ficarão sob controle direto dos detentos. Ainda assim, o simbolismo da medida pesa contra o governo. Em vez de focar no endurecimento do combate ao crime, na valorização das forças de segurança ou na reparação às vítimas, o Planalto opta por ações que passam a mensagem de conforto e benevolência com quem violou a lei.
A decisão reforça críticas recorrentes à gestão Lula, acusada de governar desconectada da realidade da população e de tratar com descaso o sentimento de injustiça que domina parte expressiva da sociedade. Para muitos brasileiros, investir em TVs 4K para presídios não é política de reintegração — é desrespeito com quem cumpre a lei e sustenta o Estado.