PT trava guerra digital contra o Congresso com R$ 189 mil em vídeos e ataques

PT trava guerra digital contra o Congresso com R$ 189 mil em vídeos e ataques

Partido aposta em inteligência artificial, influenciadores e militância online para pressionar parlamentares e defender taxação dos super-ricos após derrota sobre o IOF

Em meio à tensão entre os Poderes, o Partido dos Trabalhadores (PT) investiu R$ 189,5 mil em uma campanha digital para atacar o Congresso Nacional após parlamentares derrubarem um decreto do governo que aumentaria o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A estratégia inclui vídeos gerados por inteligência artificial, impulsionamento de conteúdos e mobilização de influenciadores digitais de esquerda.

A ofensiva nas redes sociais mirou principalmente deputados e senadores que, segundo os materiais divulgados, estariam favorecendo os super-ricos em detrimento da população mais pobre. Uma das peças mais compartilhadas exibe a imagem de Lula, em Salvador, segurando um cartaz com os dizeres “taxação dos super-ricos”.

Outros vídeos, como os da série “Taxação BBB” (Bilionários, Bancos e Bets), defendem que “quem tem mais, deve pagar mais”, reforçando a pauta do governo de isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil. Só essa campanha custou R$ 90 mil.

A narrativa ganhou força com o apoio de perfis como o da Mídia Ninja, influenciadores como Thiago dos Reis e Pedro Ronchi, além de nomes da política como Guilherme Boulos (PSOL-SP) e a ex-atleta Joanna Maranhão. Vídeos satíricos e carregados de críticas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), circulam com frases como “Hugo Nem Se Importa” e retratam parlamentares como inimigos do povo.

A movimentação foi intensificada após a derrota do governo no Congresso, quando a militância de esquerda chegou a ocupar a sede do Banco Itaú em São Paulo em protesto. A ordem nos bastidores foi clara: não esperar mais orientações do partido ou do governo, mas criar e compartilhar conteúdos para manter a pressão.

Na quarta-feira, cerca de 300 influenciadores se reuniram virtualmente com lideranças do PT, entre eles o senador Humberto Costa (PT-PE) e o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), secretário nacional de comunicação do partido. Tatto negou que a campanha seja contra o Congresso, afirmando que o alvo é a elite que se recusa a pagar mais impostos.

Apesar do tom agressivo adotado por boa parte do PT e seus aliados, a presidente do partido e ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, tenta reconstruir pontes com a Câmara dos Deputados. Nos bastidores, ela teria se queixado da intensidade dos ataques a Hugo Motta, justamente no momento em que o Planalto busca retomar o diálogo político.

Do outro lado, Motta se defendeu nas redes sociais, citando pesquisa que mostra apoio majoritário à sua condução da Câmara, inclusive por parlamentares da base do governo.

Enquanto isso, a “guerra de guerrilha” nas redes segue firme. Vídeos, memes, charges animadas e montagens com vozes robóticas de IA seguem circulando entre militantes, como forma de pressionar o Congresso a apoiar a principal bandeira econômica do governo: fazer os bilionários pagarem a conta.

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