
PT volta ao voto impresso para escolher novo presidente nacional neste domingo
Após recusa da Justiça Eleitoral em ceder urnas eletrônicas, partido retoma eleições internas com cédulas de papel pela primeira vez em 12 anos. Pleito marca fim da gestão de Gleisi Hoffmann.
Depois de mais de uma década, o Partido dos Trabalhadores (PT) volta a realizar suas eleições internas por meio do voto impresso. Neste domingo (6.jul.2025), filiados de todo o país vão às urnas para escolher os novos representantes municipais, estaduais e também o novo presidente nacional da legenda, encerrando oficialmente o ciclo da deputada Gleisi Hoffmann no comando do partido.
A votação faz parte do Processo de Eleição Direta (PED), um modelo tradicional da sigla que estava suspenso desde 2013. Desta vez, porém, o PT foi obrigado a abandonar as urnas eletrônicas, costume adotado nas últimas edições do processo interno. Isso porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou o pedido de empréstimo dos equipamentos, decisão que foi deixada a critério dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). Ao menos quatro estados — Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo e Pernambuco — recusaram a solicitação, alegando falta de estrutura e riscos à segurança da votação.
Diante do impasse, a cúpula petista chegou a estudar uma alternativa híbrida, combinando voto eletrônico em algumas regiões e papel em outras. No entanto, optou por unificar o método em todo o país para garantir maior organização. Assim, os filiados irão votar com cédulas manuais — uma volta ao passado em pleno 2025.
O novo presidente nacional da legenda terá papel estratégico na preparação da sigla para as eleições de 2026. Desde a saída de Gleisi Hoffmann do cargo, em março, quando ela assumiu a Secretaria de Relações Institucionais no governo Lula, a presidência interina está com o senador Humberto Costa (PT-PE). A definição de quem ocupará o comando de forma definitiva pode influenciar alianças, posicionamentos e o rumo do PT na disputa nacional que se aproxima.
Considerado um dos principais mecanismos de engajamento interno da sigla, o PED deve mobilizar centenas de milhares de filiados nas cinco regiões do país. A expectativa é de um domingo movimentado nas sedes regionais e diretórios municipais — e de uma nova etapa no caminho que o partido trilha rumo a 2026.