
Quando a esquerda escolhe o lado errado
PT e PSOL isolam-se ao rejeitar projeto que aperta o cerco contra facções ultraviolentas
A Câmara dos Deputados aprovou, por ampla maioria, o chamado PL Antifacção, um conjunto de medidas para sufocar ainda mais o poder de grupos criminosos que já operam no país com métodos dignos de terrorismo. Em meio a esse consenso nacional sobre a urgência do tema, apenas PT e PSOL resolveram remar contra a maré — e, mais uma vez, ficaram sozinhos defendendo o indefensável.
O projeto cria a categoria de “organização criminosa ultraviolenta”, voltada justamente para enquadrar facções que dominam territórios, impõem medo coletivo, controlam comunidades e mantêm um verdadeiro Estado paralelo baseado em intimidação e força bruta.
Além disso, o texto endurece penas para quem participa, financia, dá suporte logístico ou colabora com essas estruturas. Líderes operacionais, responsáveis por articulação financeira, chefes territoriais e operadores diretos passam a enfrentar punições ainda maiores. Até quem organiza rotas de fuga, repassa informações ou facilita transporte de armas entra na linha de responsabilidade.
O pacote também enfrenta diretamente o comando criminoso que parte de presídios, aumentando penas e criando mecanismos mais rígidos para isolar lideranças que continuam comandando o crime de dentro das penitenciárias.
E vai além: responsabiliza quem banca essas organizações — inclusive empresas e laranjas — cortando o oxigênio financeiro das facções.
Enquanto o país pede firmeza, a esquerda vota contra
Diante de tudo isso, a pergunta inevitável é: como PT e PSOL conseguem justificar um voto contrário? Num momento em que o país é sufocado pela violência e pela ousadia das facções, ver os dois partidos se posicionarem contra um projeto que endurece o combate ao crime faz soar como se a prioridade deles fosse qualquer coisa — menos a segurança do cidadão.
A votação expôs um abismo político: de um lado, praticamente toda a Câmara entendendo a gravidade da situação; do outro, dois partidos que, mais uma vez, parecem preferir discursos ideológicos a medidas concretas para proteger a população.
Quando até a oposição e o centro encontram consenso, mas PT e PSOL insistem em dizer “não”, a mensagem que fica é amarga — e muito clara: quando o assunto é enfrentar criminosos organizados, a esquerda novamente escolhe o lado errado.