Quando a opinião vira punição: governo de Jerônimo exonera oficial da PM após apoio a ACM Neto

Quando a opinião vira punição: governo de Jerônimo exonera oficial da PM após apoio a ACM Neto

Decisão levanta críticas e acusações de perseguição política; atitude do governo petista provoca indignação ao afastar tenente-coronel que apenas manifestou opinião pessoal durante o Carnaval.

A política brasileira, muitas vezes, parece um terreno onde a liberdade de opinião caminha em corda bamba. Foi exatamente essa sensação que ficou após a decisão do governo da Bahia de exonerar o tenente-coronel André Luís Teodósio Presa, que ocupava desde 2023 a chefia do Departamento de Educação Física da Polícia Militar da Bahia.

A exoneração foi publicada no Diário Oficial do Estado na última quinta-feira (5) pelo governo comandado por Jerônimo Rodrigues, do Partido dos Trabalhadores. O problema é que a decisão veio logo após um episódio que ganhou repercussão nas redes sociais: um vídeo gravado durante o Carnaval de Salvador.

Nas imagens, o oficial aparece sem farda cumprimentando o ex-prefeito da capital baiana ACM Neto, pré-candidato ao governo pelo União Brasil. Em meio ao clima festivo, ele soltou a frase espontânea: “Pelo amor de Deus, ganha essa porra”, demonstrando apoio ao político. O próprio ACM Neto compartilhou o vídeo em suas redes sociais, o que ampliou ainda mais a repercussão.

Pouco tempo depois, veio a canetada: o tenente-coronel foi retirado do cargo.

Oficialmente, o governo da Bahia afirmou que a exoneração “não tem relação com manifestações políticas”. Mas a coincidência temporal levantou suspeitas e críticas. Para muitos observadores, a medida soa como uma espécie de recado silencioso — daqueles que não precisam ser ditos em voz alta para serem compreendidos.

É justamente aí que surge a indignação. Afinal, o militar não estava fardado, não falava em nome da corporação e participava de um evento público, como qualquer cidadão. A pergunta que ecoa é inevitável: desde quando manifestar preferência política virou motivo para punição administrativa?

O caso ocorre em um momento de forte disputa política na Bahia. Pesquisas recentes indicam vantagem de ACM Neto na corrida eleitoral contra Jerônimo Rodrigues, o que aumenta ainda mais o clima de tensão entre governo e oposição.

Diante disso, a exoneração acaba sendo vista por críticos como um retrato incômodo de como certos governos lidam com divergências: quando alguém se posiciona fora da cartilha ideológica, a resposta parece vir rápida — e pesada.

Para quem observa de fora, fica uma sensação amarga. A democracia pressupõe pluralidade de ideias, não punição por opinião. Quando um servidor é afastado logo após expressar apoio a um adversário político do governo, a mensagem que chega à sociedade é preocupante.

E muitos se perguntam: se até uma simples frase dita no Carnaval pode custar um cargo, que tipo de liberdade política realmente está sendo respeitada?

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