Quando o Pote de Ouro Fala em Democracia: Lula e a Retórica Selecionada do “Estado de Direito”

Quando o Pote de Ouro Fala em Democracia: Lula e a Retórica Selecionada do “Estado de Direito”

Condenado em três instâncias e cercado de aliados réus confessos, Lula posa de guardião da democracia enquanto o mesmo sistema absolve uns, prende outros e chama isso de “lição ao mundo”.

Em mais um daqueles momentos de ironia histórica que o Brasil coleciona, Lula subiu ao palanque para celebrar a prisão de Jair Bolsonaro e da antiga cúpula do governo, dizendo que o país “deu uma lição de democracia ao mundo”.
E isso quem diz… é justamente o político que teve condenações por corrupção confirmadas em três instâncias, que viu aliados admitirem crimes em delações e que voltou ao poder graças ao mesmo sistema que — coincidência ou não — agora faz questão de se mostrar implacável com adversários.

Durante o evento no Planalto, Lula exaltou a “coragem” da Justiça, garantindo que ela “não se amedrontou” com ameaças. Falou até em “julgamento primoroso”. Para ele, a democracia brasileira brilhou, porque — segundo suas palavras — agora temos presos por tentativa de golpe.

Lula citou a decisão de Alexandre de Moraes, que decretou o trânsito em julgado para Bolsonaro, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Braga Netto, enquanto Alexandre Ramagem continua foragido nos EUA. Para o presidente, isso seria prova de que a democracia vale para todos — embora os mesmos julgamentos que o beneficiaram no passado continuem sendo alvo de críticas, revisões e controvérsias até hoje.

Como de costume, Lula tentou suavizar o discurso dizendo que “não está feliz pela prisão de ninguém”. Mas, imediatamente, voltou a comemorar o que chamou de maturidade democrática — uma maturidade que, curiosamente, só aparece quando o desfecho agrada ao Planalto.

É difícil ignorar o paradoxo:
Quem fala em proteger a democracia é o mesmo que teve sua ficha limpa resgatada por decisões monocráticas, enquanto ex-adversários são varridos do mapa político por sentenças aceleradas e um sistema judicial que parece ter olhos muito atentos para uns… e dolorosamente míopes para outros.

No fim, a cena soa como um teatro já conhecido:
Os corruptos soltos, absolvidos ou “descondenados” aplaudem a Justiça;
os desafetos do governo são apresentados como ameaça ao país;
e o povo continua ouvindo discursos sobre democracia… justamente de quem mais deveria prestar explicações sobre ela.

No Brasil, ironicamente, a democracia virou palavra de bolso — usada conforme a conveniência de quem está no palco.

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