R$ 35 Milhões, Resort de Luxo e Assessor de Crise: O Enredo Nada Tropical de Toffoli

R$ 35 Milhões, Resort de Luxo e Assessor de Crise: O Enredo Nada Tropical de Toffoli

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro citam aportes milionários ao Tayayá; ministro nega irregularidades enquanto reforça blindagem contra a imprensa.

Se antes falava-se em alguns poucos milhões, agora o número ganhou musculatura: R$ 35 milhões. Esse é o valor que aparece em conversas extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relacionadas a aportes feitos ao resort Tayayá — empreendimento que teve participação societária ligada ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.

As mensagens mostram cobranças, pressa e irritação. Em determinado momento, Vorcaro pergunta ao seu operador, Fabiano Zettel, sobre o aporte ao fundo ligado ao Tayayá. A resposta inclui uma linha direta: “Tayaya – 15”. Para os investigadores, referência a R$ 15 milhões. A ordem veio rápida: “Paga tudo hoje”.

Meses depois, novas cobranças. “Onde tá a grana?”, questiona o banqueiro, demonstrando incômodo com atrasos. No balanço apresentado nas conversas, aparecem dois grandes blocos de repasses: R$ 20 milhões anteriormente e mais R$ 15 milhões depois. Total: R$ 35 milhões injetados no empreendimento.

De R$ 3 milhões a R$ 35 milhões

Inicialmente, falava-se que Zettel teria desembolsado cerca de R$ 3,3 milhões para comprar parte do resort. Agora, os extratos e mensagens indicam valor dez vezes maior. Coincidência ou não, datas de aportes coincidem com as mensagens registradas no celular do empresário.

O último aporte relevante teria ocorrido pouco antes de Toffoli deixar formalmente a sociedade vinculada ao Tayayá.

O ministro nega ter recebido qualquer quantia indevida. Afirma que todas as operações foram feitas a valor de mercado, declaradas à Receita Federal e dentro da legalidade. Sustenta também que nunca manteve proximidade com Vorcaro — apesar de registros de ligações telefônicas e até convite para festa de aniversário.

A blindagem reforçada

Em meio à avalanche de revelações, Toffoli passou a contar com apoio direto de um assessor para lidar com a imprensa. O escolhido foi Márcio Aith, ex-secretário de Comunicação do STF durante a presidência do próprio ministro.

A movimentação é vista como tentativa clara de conter danos de imagem. Afinal, o desgaste não é pequeno: além das suspeitas envolvendo o resort, o caso provocou tensão entre a Polícia Federal e o STF, culminando na saída de Toffoli da relatoria do inquérito, que acabou redistribuído ao ministro André Mendonça.

Aparência, confiança e desgaste

Mesmo que todas as transações tenham ocorrido dentro da legalidade formal — como sustenta o ministro — o volume dos valores e a sequência de mensagens reveladas criam um cenário, no mínimo, desconfortável.

No topo do Judiciário, a exigência não é apenas de legalidade, mas de aparência de absoluta independência. Quando cifras milionárias, fundos de investimento, triangulações societárias e empresários investigados entram na mesma equação, a confiança pública inevitavelmente sofre abalos.

Toffoli nega irregularidades. As investigações seguem. Mas, enquanto as explicações oficiais tentam esfriar o caso, os R$ 35 milhões continuam ecoando como cifra difícil de ignorar — especialmente para quem ocupa uma cadeira na mais alta Corte do país.

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