Reunião adiada e clima de cautela: chefe da PF quer falar com Mendonça após viagem com Lula

Reunião adiada e clima de cautela: chefe da PF quer falar com Mendonça após viagem com Lula

Convocação do STF acontece enquanto diretor-geral da Polícia Federal acompanha o presidente no exterior, levantando desconfiança nos bastidores.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, planeja solicitar uma audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça assim que retornar da viagem oficial à Ásia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro é visto como necessário, mas o timing — e as sucessivas ausências — alimentam um clima de cautela e desconfiança entre observadores do caso.

Mendonça, recém-designado relator do chamado Caso Master, convocou integrantes da PF para uma reunião ainda na véspera do Carnaval, um dia após assumir a relatoria. Andrei Rodrigues, porém, não participou: já estava fora do país. Na ocasião, a corporação foi representada pelo diretor-executivo William Marcel Murad.

Uma nova reunião foi marcada para esta segunda-feira (23/2). Mais uma vez, Andrei não pôde comparecer, pois segue na agenda internacional com Lula, que inclui compromissos na Índia e na Coreia do Sul. O retorno da comitiva a Brasília está previsto apenas para quarta-feira (25/2).

Nos bastidores, a sequência de encontros sem a presença do diretor-geral da PF e a sensibilidade do inquérito levantam questionamentos. Interlocutores políticos e jurídicos avaliam com reserva o andamento das conversas e a necessidade de alinhamento direto entre o relator e o comando da PF — algo que só deve ocorrer após o retorno da viagem.

A expectativa é que, quando a audiência finalmente acontecer, sirva para esclarecer ruídos, alinhar procedimentos e reduzir as incertezas que rondam o caso. Até lá, a leitura predominante é de cautela: há pressa em decidir, mas também receio sobre o contexto e o momento em que essas decisões estão sendo discutidas.

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